Estudo acha indícios de diversificação humana há 100 mil anos

Um estudo divulgado nesta quinta-feira e que será publicado amanhã na Science afirma que o povo Khoisan (ou Khoe e San), no sul da África, é descendente do primeiro grande evento de diversificação genética em toda a história humana – que ocorreu há 100 mil anos, antes da primeira migração do homem moderno para fora do continente africano.
Cientistas de diversas universidades analisaram o DNA de 220 indivíduos de diferentes regiões do sul da África. “A maior divergência (genética) entre todas as pessoas vivas ocorreu cerca de 100 mil anos atrás, bem antes dos humanos modernos migrarem para fora da África e é cerca de duas vezes mais antiga que as divergências dos pigmeus na África Central, dos caçadores-coletores do leste do continente e de outros grupos africanos”, diz a líder do estudo, Carina Schlebusch, da Universidade Uppsala, na Suécia.

Segundo Mattias Jakobsson, também da Uppsala, essas profundas divergências nas populações africanas têm grande importância para se entender a história da humanidade. As estruturas e padrões de variações sugerem uma população complexa na história dos povos do continente. “A população humana tem se estruturado por um longo período (…) e é possível que os humanos modernos tenham surgido de um grupo não homogêneo”, diz o pesquisador.
O estudo ainda indicou diversificações genéticas dentro dos Khoisan e indica também o primeiro momento em que a pastorícia se espalhou pelo sul da África. Já se acreditava, através de indícios arqueológicos e etnográficos, que essa prática chegou à região através da cultura Khoe, mas não se sabia se ela tinha impacto genético na população.

Segundo o estudo, Os Nama, um grupo de pastores Khoe, apresenta grande similaridade aos San do sul. “Contudo, nós encontramos um pequeno, mas distintivo componente genético que é compartilhado com os africanos do leste, o que pode ser resultado de uma ancestralidade em comum associada com as comunidades pastoris do leste do continente”, diz Carina. Ou seja, os primeiros pastores da região podem ter se originado de um grupo de San do sul e adotado a prática a partir de um grupo do leste africano.

A pesquisa ainda detalhou evidências de adaptações locais em grupos distintos de Khoe e San. Por exemplo, foram achados indícios de seleção genética envolvendo funções musculares, respostas imunológicas e proteção à luz ultravioleta (do sol). Estas características podem estar ligadas a adaptações necessárias para os desafios do ambiente aos quais os ancestrais dessas etnias eram expostos e que agora podem ser vistos nos genes de seus descendentes. Os cientistas ainda buscaram sinais de adaptações no genoma antes da separação dos Khoisan dos demais humanos.

“Embora todos os humanos carreguem variantes similares nestes genes, a antiga divergência entre os Khoe-San e os outros grupos humanos nos permitem focar em genes que evoluíram rapidamente em ancestrais de todos que vivem no planeta hoje”, diz Pontus Skoglund, da Uppsala. Os cientistas afirmam que os genes envolvendo o desenvolvimento esquelético podem ter sido cruciais para determinar as características anatômicas dos humanos modernos.

 

 

Fonte: Terra 

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