Há 15 anos, Williams, o único negro, fez história no rúgbi

Em 1995, o então presidente da África do Sul Nelson Mandela usou a Copa do Mundo de rúgbi, realizada no país, para evitar uma guerra civil e dar os primeiros passos da unificação racial depois da queda do apartheid. A fim de ganhar a confiança dos brancos e extinguir a chama da vingança dos negros, Mandela conseguiu fazer com que todos torcessem juntos pelo Springboks, a seleção nacional da modalidade, idolatrada por brancos e odiada pelos negros. A história foi contada no livro Conquistando o Inimigo, do jornalista inglês John Carling, e no filme Invictus, de Clint Eastwood.

 

Na época, o lateral Chester Williams estava em situação semelhante à de Matthew Booth hoje: ele era o único jogador negro dos Boks ? o segundo a conseguir tal façanha, depois de Errol Tobias. Hoje embaixador de uma marca de produtos médicos e morando na Cidade do Cabo, Williams, de 40 anos, concedeu a seguinte entrevista ao Estado:

O senhor gosta de futebol?

Eu sou um ávido torcedor de futebol. Meu time é o Manchester United, da Inglaterra. Também torço pelos Bafanas, mas acho que Inglaterra e Espanha farão a final da Copa.

 

Chegou a jogar futebol?

Só rúgbi. Porque o futebol não era praticado na minha escola. De vez em quando jogávamos futebol na rua, mas joguei muito mais rúgbi.


O que está achando da Copa do Mundo na África do Sul?

É uma oportunidade incrível para a África do Sul se unir como nós fizemos em 1995. Somos tão apaixonados por esse esporte que tenho certeza de que algo muito grande vai mudar por aqui. Para melhor.

 

O que representou ser o único jogador negro dos Springboks na campanha vitoriosa do mundial de 1995?

Foi inesquecível. E agora é a hora de os brancos empurrarem a seleção de futebol como os negros fizeram com os Boks naquela época.


Se pudesse mandar um recado para o Matthew Booth, o que diria?

Faça-nos sentir orgulhosos. Você chegou aí por causa da sua habilidade, do seu talento e do seu trabalho duro. Continue defendendo bem o seu país. / C.C.C.

 

 

Fonte: Estadão

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