sexta-feira, novembro 26, 2021
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Histórias de amor entre mulheres reforçam visibilidade lésbica e bissexual em campanha nas redes sociais

Ação começou a ser divulgada no agosto da visibilidade lésbica e foi lançada nesta quinta (23), dia da visibilidade bissexual, com objetivo de fazer com que amores LGBTs sejam contados com leveza, afeto e diversão.

Quem não gosta de uma história de amor? A campanha baiana chamada “Amores por um triz”, que circula nas redes sociais, reúne relatos de romances que aconteceram anos depois dos casais se conhecerem, amores de uma noite com pessoas de estados diferentes, entre tantas outras histórias de amor.

A campanha, em parceira com a plataforma amores sonoros, também acompanha o lançamento da música “Por Um Triz”, da cantora baiana Amanda Rosa. [Clique aqui e escute]

A canção faz parte do EP “A Filha Revolta”, lançado em julho de 2021, e conta a história da primeira noite entre duas mulheres. A história é baseada em uma experiência real, vivenciada entre a cantora e Beatriz Almeida, que hoje é produtora da artista.

O romance entre as duas deu espaço para a amizade, e elas perceberam que as relações se transformam quando são verdadeiras e baseadas no amor.

“Ela transformou a primeira noite da gente juntas em uma música que se chama ‘Por um triz’. Depois disso, a gente parou de ficar, mas não se desgrudou mais”, contou Beatriz Almeida.

“Tempos depois eu virei empresária da carreira dela. E agora, dois anos depois, vamos lançar a bendita da música”, disse.

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Amanda Rosa fez música para a empresária Beatriz Almeida, com quem teve um amor por um triz (Foto: Arquivo Pessoal)

Amor interestadual

Na campanha, uma das histórias contadas é a da enfermeira Rita de Cássia Acioli Barbosa, de 44 anos, e da agora, sua companheira, a psicóloga e terapeuta Katarina de Lima Fernandes, de 28 anos.

Elas se conheceram durante um evento sobre políticas de drogas, em Salvador, em 2017. Um amor que o destino mostrou possível de acontecer mesmo com dificuldades.

O casal vive atualmente em Recife, no estado de Pernambuco, onde Rita de Cássia já morava antes de conhecer Katarina Fernandes.

“A nossa história de amor começou em 2017, em novembro, em Salvador. Rita foi para um evento de política de drogas, com várias pessoas, e eu era monitora desse evento”, contou Katarina Fernandes.

Como se fala na Bahia, a história de Rita e Katarina começou com uma paquera.

“Eu dei aquela olhadinha para ela e ela nem ‘tchum’ para mim. Eu só sentindo o coração palpitar e eram dois dias de evento. Isso foi na sexta e no sábado, e ela continuou sem me dar bola”, revelou a baiana.

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Rita de Cássia e Katarina Fernandes viveram um amor por um triz e agora estão juntas (Foto: Arquivo Pessoal)

Após o término do evento, em uma parte do hotel onde elas estavam, as duas tiveram a primeira conversa.

“O evento terminou, tinha uma parte que tinha uma descida para o mar e eu estava lá quando ela apareceu do nada. Eu tive certeza que era agora que ia me aproximar”, contou Katarina.

“Eu perguntei se ela queria ir para a casa de uma pessoa que estava comigo, ela disse que queria, mas que ia viajar, morava em Recife, em Caruaru, e a viagem estava próxima”.

Rita de Cássia então pensou em uma forma de manter contato com Katarina, deixou o número do telefone em um guardanapo em da toalha da pernambucana, que estava na mesa onde elas almoçavam com amigos.

“Só que ela perdeu esse papel depois e pediu para o meu amigo o meu número”, lembrou Rita de Cássia.

Após o encontro, cada uma foi para o seu canto, e elas só voltaram a se encontrar, em março de 2018, quando Katarina foi fazer residência em Recife. Naquela altura, as duas nem conversavam mais.

“Em março de 2018 eu fui fazer residência em Recife, uma amiga minha estava fazendo estágio na Secretaria de Saúde, a gente conversando e ela comentou sobre uma tal de Rita Accioly e me mostrou a foto. Eu só faltei morrer, porque eu ia ter aula com essa Rita algumas semanas depois”, disse.

As duas voltaram a se encontrar na palestra, conversaram após a aula e perceberam que havia algo mais naquele encontro.

“Eu olhava para ela, mas eu não associei que era Katarina. Quando terminou a aula, alguém mostrou um poema que uma aluna da turma tinha feito. Eu falei: ‘Poxa, que massa, quem foi que fez?’ Aí alguém disse que foi Katarina”.

“Quando eu fui embora, eu não imaginei que a gente poderia se encontrar, embora para mim fosse como se a gente tivesse que se encontrar, que fazia sentido a gente se encontrar em algum momento da vida”, disse a pernambucana.

“Eu queria estar com ela, mas ao mesmo tempo achava impossível, mas foi muito natural encontrar Katarina em um hotel, com vista para o mar, bem lindo. Todo um cenário, fiquei encantada, veio esse flash de cinco meses atrás, para mim era ela, era Katarina”.

O namoro de Katarina e Rita de Cássia começou no dia 7 de setembro de 2018, quase um ano depois de se conhecerem em Salvador.

“Aí terminou que ela [Rita de Cássia] ainda estava com um relacionamento nessa época, em maio a gente se encontrou novamente. Junho, enfim, a gente começou a conversar. Ela terminou em agosto. Começamos a namorar em 7 de setembro e estamos juntas até agora”, contou a baiana.

Ao longo do namoro, o amor entre Rita e Katarina também passou por outras provações do destino. A residência da baiana em Recife terminou em 2020 e ela voltou para Salvador. O desafio era manter o relacionamento à distância.

“No meio da pandemia, a gente foi construindo essa relação com a distância. A gente se encontrou em alguns meses…junho, setembro, dezembro e aí em fevereiro [de 2021] eu fui morar em Recife”.

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Rita de Cássia e Katrina Fernandes estabeleceram união estável (Foto: Arquivo Pessoal)

Oficialmente morando juntas, Rita de Cássia teve um diagnóstico de câncer de mama e está em tratamento. As duas estabeleceram união estável sete dias antes da cirurgia da pernambucana, como demonstração de fortalecimento do elo criado.

“Em 27 de julho, antes da cirurgia dela, que foi no dia 2 de agosto, a gente estabeleceu a união estável, no cartório”, disse Katarina.

Ambas tem filhos, de 12 e 7 anos, frutos de relações anteriores.

Por um triz

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Amor por um triz da escritora Uyara Nayri virou arte (Foto: Arquivo Pessoal)

A escritora Uyara Nayri, de 25 anos, também contou, na campanha, um pouco sobre um dos maiores amores que ela viveu e que virou arte. [Veja na foto acima]

“O meu amor aconteceu em 2017, no mesmo ano em que Angela Davis teve aqui, na Ufba, onde eu conheci várias mulheres pretas. Nesse encontro, nesse movimento, eu conheci o grande amor da minha vida ou um dos grandes amores da minha vida”, lembrou a escritora.

Uyara Nayri contou que se apaixonou por uma multiartista que morava em Natal, no Rio Grande do Norte, e lembrou momentos inesquecíveis.

“A gente se encontrou, rolou aquela preliminar, maravilhoso, inesquecível, em um ponto no Rio Vermelho, que toda vez que vejo eu lembro dela”.

No entanto, a relação entre as duas, apesar de ficar viva por muito tempo na mente de Uyara Nayri, não teve grande avanços.

“Ela precisou voltar para Natal e a gente não ficou mais. No ano seguinte, ela voltou para Salvador, a gente ficou, mas a gente nunca teve uma noite nossa. Ela nunca foi minha, eu nunca fui dela, mas ela foi por muito tempo o grande amor da minha vida”, contou.

“Foi aquela mulher que eu falava que eu mudaria de cidade por ela. Esse foi o meu amor por um triz e o grande amor da minha vida”.

‘Monogamia com glitter’

Na campanha, outra história que é contada é a da artista, cantora e bambolete (pessoa que dança com um bambolê), Lua Novaes, de 27 anos.

Ela vivia um relacionamento aberto e havia um pacto para que ambos não se apaixonassem por outras pessoas.

“O ano era 2016, eu tinha um casamento aberto, a famosa monogamia com glitter. Era aquele casamento que eu poderia ficar com outras pessoas, mas eu não poderia me apaixonar”, contou Lua Novaes.

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Luas Novaes e Barbara Fortunato vivem um amor que por um triz não aconteceu (Foto: Arquivo Pessoal)

A artista seguia à risca o combinado, mas falhou após conhecer a psicóloga Bárbara Fortunato, de 31 anos. As duas tiveram um “quase namoro” por cerca de um mês, mas terminaram por causa do casamento de Lua Novaes.

“Não tinha como eu não me apaixonar por aquela mulher. Por conta desse casamento, com essa monogamia com glitter, a gente acabou precisando se separar porque eu não sustentei o rolê mesmo”, disse a artista.

No entanto, mesmo com o término, Lua e Bárbara mantiveram contato e isso causou turbulências nos relacionamentos de ambas.

“Aquela mágica se tornou uma amizade muito forte, a gente não se largou, a gente não se desgrudou, inclusive nós éramos os problemas dos nossos relacionamentos”, afirmou Lua Novaes.

O amor por um triz de Lua Novaes e Bárbara Fortunato virou realidade quatro anos depois, quando as duas decidiram estreitar os laços.

“A gente conversando, nessa amizade, porque éramos muito amigas. A gente percebeu que não era só amizade. Meu amor por um triz, não é mais por um triz, aconteceu, Brasil”, brincou.

A situação inspirou Lua Novaes a lançar uma música sobre o final de um relacionamento LGBT conturbado, por conta da monogamia. A música se chama “Louca Por Você”.

A artista também cria conteúdos sobre relacionamentos abertos e monogâmicos nas redes sociais.

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Amanda Rosa fez música para a empresária Beatriz Almeida, com quem teve um amor por um triz (Foto: Arquivo Pessoal)
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