Para diretora da ONU Mulheres, violência contra a mulher é a ‘violação de direitos humanos mais tolerada no mundo’

Para Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora executiva da ONU Mulheres, a violência contra a mulher é “a violação de direitos humanos mais tolerada no mundo” e é preciso enfrentar esse crime com urgência por todo o mundo.

Por , do Brasil Post 

A afirmação foi feita nesta quarta-feira (25), Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher na ONU.

Segundo a ONU, Ngcuka destacou que a violência de gênero acontece por conta da desigualdade e discriminação contra a mulher, acrescentando que “sua contínua presença é uma das marcas mais claras do desequilíbrio das sociedades e mostramos determinação para mudar isso”.

Ela ainda ressaltou que estamos caminhando de forma positiva, citando que 125 países já adotaram leis contra o assédio sexual e 119 contra a violência doméstica. No entanto, segundo ela, apenas 52 países do mundo possuem leis contra o estupro conjugal.

“Sabemos que os líderes, sejam eles CEOs, primeiros-ministros ou professores – podem estabelecer o tom de zero tolerância para a violência. Apesar de não haver uma única solução para um problema tão complexo, há crescentes evidências de que certas ações podem impedir a violência antes que ela aconteça, especialmente se forem implementadas em paralelo. Além disso, investigações atualmente em curso vão gerar estratégias e intervenções mais definitivas de prevenção à violência”

Quem também se pronunciou sobre a situação da mulher no mundo foi o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Ele expressou preocupação em relação aos crimes cometidos contra mulheres e meninas em áreas de conflito, “que sofrem várias formas de violência, assédio sexual, escravidão sexual e tráfico. Extremistas violentos estão pervertendo os ensinamentos religiosos para justificar a subjugação e abuso de mulheres em massa”.

No Brasil

Em um ano, morreram assassinadas 66,7% mais mulheres negras do que brancas no Brasil. Essa é uma das conclusões do Mapa da Violência 2015, divulgado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), e que, nesta edição, foca na violência de gênero no País.

Quando foi divulgado, no começo de novembro, estudo foi considerado inovador pela representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, ao revelar a “combinação cruel” que se estabelece entre racismo e sexismo: em uma década (a pesquisa abarca o período de 2003 a 2013), os feminicídios contra negras aumentaram 54%, ao passo que o índice de mortes violentas de mulheres brancas diminuiu 9,8%.

No total, em 2013, 4.762 mulheres foram assassinadas no País, posicionando-o no quinto lugar no mundo – só está melhor que El Salvador, Colômbia, Guatemala e Federação Russa.

Leia Também: PLP 2.0 – Aplicativo para coibir a violência contra a mulher

Foram 13 homicídios femininos por dia: uma mulher morta a cada 1h50min. É o equivalente a exterminar todas as mulheres em 12 municípios do porte de Borá (SP) ou Serra da Saudade (MG), que têm menos de 400 habitantes do sexo feminino.

“As mulheres negras estão expostas à violência direta, que lhes vitima fatalmente nas relações afetivas, e indireta, àquela que atinge seus filhos e pessoas próximas. É uma realidade diária, marcada por trajetórias e situações muito duras e que elas enfrentam, na maioria das vezes, sozinhas”, diz Nadine.

16 dias de ativismo

No Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher nesta quarta-feira (25) e começo da campanha dos 16 dias de ativismo contra a violência de gênero, a ONU estreia iniciativa que convida a iluminarem o mundo de laranja, cor escolhida para simbolizar a igualdade entre homens e mulheres.

No Brasil, participantes da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência, realizada nesta quarta-feira (18), refletiram essa cor nas ruas de Brasília. O Palácio do Planalto também recebeu a iluminação especial.

A ONU Mulheres anunciou que durante os 16 dias de ativismo, a diretora-executiva da agência, Phumzile Mlambo-Ngcuka, fará visitas aos três continentes destacando a necessidade urgente de gerar esforços para se dirigir à violência pandêmica em todas as esferas e em todos os setores da sociedade, durante eventos de alto nível em diferentes países, incluindo o Brasil.

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