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Princesa Mary e as PLPs – aqui como lá – por Nilza Iraci

Dia 17 de setembro vai ficar marcado para as PLPs – Promotoras Legais Populares do Geledés – Instituto da Mulher Negra, como um momento histórico, quando puderam estar frente a frente, em São Matheus, periferia de São Paulo, com a Sua Alteza Real, a Princesa Mary da Dinamarca, num diálogo aberto e franco sobre os problemas enfrentados pelas mulheres em situação de violência, e por aquelas que lutam no seu cotidiano contra essa prática, oferecendo a essas mulheres uma nova perspectiva de vida

Nilza Iraci
Geledés – Instituto da Mulher Negra
Ela foi recebida com entusiasmo pelas diretoras do Hospital de São Matheus, onde foi criado um Núcleo de atendimento às mulheres em situação de violência, pelas coordenadoras da Casa Cidinha Kopcak, pela diretoria do Geledés e pelas Promotoras Legais Populares do Geledés. A visita contou ainda com a presença do Sr. Maru Sareen, Ministro de Gênero e Assuntos Eclesiásticos e da Sra.Embaixatriz da Dinamarca e Tanja Doki, Secretária particular da Princesa .
Tanta pompa real poderia redundar numa certa intimidação paras as mulheres, mas foi rapidamente quebrada pela Princesa, que abriu sua fala dizendo “não nasci Princesa”; e quando evidenciou aquela máxima nossa conhecida de que a violência contra a mulher é uma das práticas mais democráticas do mundo, e aqui como na Dinamarca, Austrália, e em todos os continentes as mulheres são abusadas, torturadas, assassinadas, em nome do amor e da guerra. A Princesa se mostrou profunda conhecedora dessas questões, já que desenvolve trabalho semelhante ao nosso na Fundação Mary, onde exerce o cargo de presidenta.
Criada em 2007, a Fundação Mary tem por princípio básico que todos tenham o direito de pertencer, e trabalha com três áreas: Bullying & Bem-Estar, Violência Doméstica e Solidão. Um dos principais projetos da Fundação é o “Conselhos para a Vida” – um programa que oferece apoio financeiro, jurídico e social às vítimas de violência doméstica.

A Princesa se emocionou com os depoimentos de mulheres que viveram situação de superação de violência doméstica e com os relatos das pessoas que trabalham com essas mulheres.

No final parabenizou a todas pela coragem e pela dedicação em transformar a vida das mulheres e de suas comunidade, e ainda participou do lanche comunitário preparado pela Casa. Foi embora levando um lanchinho embrulhado em papel alumínio, uma cesta com material produzido pelas mulheres, e a solidariedade das brasileiras a todas as mulheres que sofrem violência no mundo.

Após a visita ao Projeto das PLPs a Princesa, acompanhada do Ministro Maru Sareen e de sua comitiva encontrou-se com lideranças feministas para um almoço, onde mostrou especial interesse por projetos nas áreas de educação sexual, saúde reprodutiva, saúde materna, violência doméstica e direitos das crianças, e sua visita a São Paulo tinha por objetivo conhecer melhor realidade desses temas no Brasil.

Os pontos de discussão escolhidos pela Princesa Mary foram: o que significa ser mulher negra no Brasil, violência contra a mulher, políticas públicas de gênero e o trabalho das organizações de mulheres e feministas sobre as questões de gênero no Brasil.

As informações sobre políticas públicas foram prestadas pela Ministra Luisa Bairros da Seppir, que falou do agravamento do racismo sobre as mulheres negras, e da importância de se considerar essa variável quando se discute violência contra a mulher. Para Vera Soares, da Secretaria Institucional de Ações Temáticas da SPM, o trabalho que a SPM vem realizando nas fronteiras pode ter um….. com a Dinamarca, uma vez que a princesa relatou que as principais vítimas de violência na Dinamarca são as migrantes.

Como não poderia deixar de ser, tanto a Princesa quanto o Ministro se mostraram surpresos com os números da desigualdade racial no Brasil, e reafirmaram a importância de campanhas educativas para erradicar essa prática odiosa.

Ao final, toda/os participantes enfatizaram a riqueza do diálogo e a importância do estreitamento de laços entre realidades tão distintas mas tão próximas, quando se trata de violação de Direitos Humanos das mulheres.

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Nilza Iraci
Geledés – Instituto da Mulher Negra

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