quarta-feira, julho 6, 2022
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Cara e cor do parlamento

Há quase dois anos conversando com um velho amigo e deputado federal lá da região do ABC paulista eu o perguntava como ele via a política nesta legislatura, já que o mesmo acabava de se reeleger e iniciar um novo mandato. Para minha surpresa ele falou que este seria seu último mandato e que em 2018 deixaria o parlamento para se dedicar aos estudos e, possivelmente, dar aula em uma universidade. Surpreso com a resposta perguntei-lhe qual a razão e ele respondeu que entre outros motivos era em função do triste e sombrio parlamento que iria fazer parte.

Por Maurício Pestana Enviado para o Portal Geledés

Disse-me que a bancada dos trabalhadores, operários foi reduzida drasticamente. Em compensação, bancadas conservadoras como a da bala, a de policiais, a de evangélicos, de ruralistas e a de teocráticos havia crescido vertiginosamente e que, “fazer política no Brasil sem estar vinculados a esses grupos conservadores seria cada vez mais desafiador”.

De lá para cá, sempre ouço dizer que esse é a pior legislatura da história. Analisando o curriculum de alguns parlamentares e do seu presidente, Eduardo Cunha, isso fica evidente. Porém, ao assistir por mais de quatro horas a votação do processo de impedimento da presidente Dilma e observando as manifestações e feições de cada um dos mais de 500 deputados, não resta dúvidas de que o quadro é muito pior do que o amigo deputado havia pintado.

Homem, branco e evangélico de meia idade, cujo o voto teve que ser justificado ou dedicado à família ou a Deus e não aos eleitores e à justiça como era de se esperar, considerando que o julgamento era pelo indiciamento de alguém que supostamente infringiu a lei.

Aliás “justiça” foi a palavra menos pronunciada naquelas quinhentas e poucas justificativas de votos, nos quais a voz feminina ou o rosto negro pouco apareceram, comprovando que mulheres e negros, embora sejam praticamente a metade da população brasileira, ainda estão longe do dia em que irão decidir, ou no caso das mulheres dirigir, “verdadeiramente” a nação brasileira.

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