Chamada para submissão de propostas no livro: E quando contarmos nossas histórias?

“E quando contarmos nossas histórias? Trajetórias e experiências de estudantes e professores negros nas universidades brasileiras”

As narrativas de vida constituem uma importante fonte de material para as pesquisas acadêmicas, fortalecem a memória coletiva e individual e possibilitam o reconhecimento de que a realidade social é multifacetada e também socialmente construída por indivíduos. No que diz respeito às pessoas negras dentro da universidade, o racismo estrutural que permeia o sistema educacional brasileiro permanece violentando e impossibilitando direta e indiretamente o acesso aos espaços de produção ‘legitimada’ do conhecimento.
Dado o contexto em que vivemos no Brasil, de marcadas desigualdades econômicas, sócio-culturais e raciais,  após o processo de redemocratização na década de 1980, a sociedade brasileira tem experimentado um processo de abertura  e pluralização de grupos minoritários na esfera pública. Neste segmento, encontramos os movimentos pautados na luta racial, os movimentos sociais negros por meio da pauta das Políticas de Ações Afirmativas, preocupados em reivindicar o direito ao acesso ao Ensino Superior e reserva de vagas para  concursos públicos, para provimento de cargos efetivos e empregos públicos em diversos âmbitos.
Ainda assim, estruturalmente, a estas pessoas é negada a possibilidade de contar suas próprias histórias. Diante disso, a trajetória desses indivíduos nesses espaços é marcada por alguns denominadores comuns como racismo, solidão, estranhamento, desvalorização, falta de identificação e reconhecimento, dentre outros. Finalmente, a universidade se mostra um espaço excludente para a população negra. Em resposta a defasagem estrutural que está intríseca ao modelo de universidade pública brasileira, surgem alguns espaços de resistência, que tem como propósito proporcionar a pessoa negra na universidade vivências dotadas de significados e significantes com base antirracista, e contribuir para a formação de sujeitos racializados.
E este é, justamente, o objetivo deste livro: atuar como um meio para evidenciar as narrativas construídas por pessoas negras que têm a vida atravessada pela experiência universitária – por meio do seu próprio ponto de vista, de suas vivências e categorias de mundo. Nossa ambição é também reunir e documentar as possibilidades e diversos caminhos trilhados por e existentes para pessoas negras no país – a construção de outras narrativas feitas por nós e para nós.
Desse modo, convidamos (ex) universitárias/os negras/os de todo o Brasil para dar vazão às suas histórias, atravessadas por tantos afetos, medos, desejos, inseguranças, coragem, força, resistência e uma vontade voraz de encontrar-se em meio ao caos desse espaço que foi projetado para não abrigar tudo aquilo que não é branco.
Esta chamada tem como finalidade receber propostas para compor o livro digital: “E QUANDO CONTARMOS NOSSAS HISTÓRIAS? TRAJETÓRIAS E EXPERIÊNCIAS DE ESTUDANTES E PROFESSORES NEGROS NAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS”, que concorrerá ao Edital de Incentivo à produção e publicação de livros digitais, lançado pela Universidade Federal de Pernambuco. A nível institucional, tem como finalidade formar uma biblioteca digital básica disponível aos estudantes de graduação e/ou pós-graduação e servidores, para que seja utilizado como recurso didático-pedagógico em apoio ao ensino. Comprometendo-se a Editora UFPE a disponibilizar para downloads, por tempo indeterminado, as obras desta coleção em formato e-book, através do seu portal de livros digitais.
Por outro lado, esperamos também que este e-book corrobore e evidencie às pessoas negras que encontram-se no ambiente universitário que todo caminho é único, mas que as experiências, desafios e lutas cotidianas podem ser mais leves quando compartilhadas. Convidamos todas e todos a quebrar o silêncio que nos foi imposto por tanto tempo. Ao falar do que viram (vêem), do que viveram (vivem) e do que sentiram (sentem) para contribuir para uma educação verdadeiramente antirracista reescrevermos os livros que roubaram.

CHAMADA PARA SUBMISSÃO DE PROPOSTAS NO LIVRO – PDF

Modalidade das propostas

Textos narrativos autobiográficos:
Os textos desta modalidade devem conter uma narração autobiográfica que se relacione com  vivência(s) da/o proponente dentro de alguma universidade brasileira e impactaram sua trajetória e/ou percepções, tanto em relação à raça e a experiência do racismo, quanto no que diz respeito ao autoconhecimento, autopercepção e/ou o seu efeito na experiência universitária. A/O proponente deverá enviar o link do seu Currículo Lattes atualizado ou um resumo do seu currículo, junto com um (único) texto inédito, que deve ter entre 5 e 10 páginas. A/O proponente também deverá enviar duas fotos individuais recentes, nos formatos indicados abaixo, que serão utilizadas na apresentação do livro.
Formatação do Texto:
Corpo do Texto: fonte Times New Roman, corpo 11, entrelinha 1,15.
Não deverá haver espaço entre parágrafos, que deverão ser recuados na primeira linha, seguindo o padrão da ABNT;
Citações: fonte Times New Roman, corpo 10, entrelinha 1 cm. Recuo de 30 mm, com espaço extra antes e depois da citação;
Títulos e subtítulos devem apresentar uma hierarquia clara;
As tabelas devem se limitar ao espaço da mancha gráfica. Evitar dividir tabelas;
As referências deverão seguir o padrão AUTOR/DATA da ABNT (não utilizar referência em notas de rodapé);
As imagens deverão apresentar boa resolução (300dpi), devendo-se evitar imagens escaneadas ou com baixa resolução e respeitar os direitos autorais de fotos e outras imagens (todas em formatos como JPG, TIFF, PNG);
Poemas/poesias
Os textos desta modalidade deverão dialogar diretamente com a temática do livro, com limite de até duas páginas, obedecendo à formatação acima mencionada.
As propostas deverão ser enviadas para o e-mail [email protected], com a descrição da modalidade no assunto. A data limite para envio é 05 de janeiro de 2021.
Informações sobre as organizadoras:
Ana Cláudia Rodrigues
Profª Adjunta do Departamento de Antropologia e Museologia da UFPE e do Programa de
Pós-Graduação em Antropologia da UFPE. Coordenadora do Grupo de Pesquisa AYÉ: labora
tório interdisciplinar natureza, cultura e técnica e colaboradora e colaboradora do Grupo de
Estudos afrocentrados Baobá. Desenvolve pesquisas sobre epistemologias negras,
relações raciais, ambiente e saúde.
Tairine Ferreira Pimentel é licenciada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Pernambuco, mestranda no Programa de Pós-graduação em Sociologia da mesma universidade. Integrante da Comissão de Heteroidentificação Racial da UFPE e do Grupo de Trabalho Religión, neoliberalismo y pos/decolonialidad do Conselho Latinoamericano de Ciências Sociais. Desenvolve pesquisas desde a graduação sobre Gênero e Religião dentro do campo do movimento ecumênico de responsabilidade social.
Thayane Fernandes é bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Pernambuco, mestra e doutoranda em Antropologia pelo Programa de Pós-graduação em Antropologia pela mesma universidade. Vinculada ao Laboratório de Estudos Avançados de Cultura Contemporânea/UFPE, integrante do Grupo de Estudos Afrocentrados Baobá  e do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos/UFRJ. Desenvolveu pesquisas sobre religião no Brasil e atualmente está interessada em temáticas como subjetividades, arte, design, interseccionalidade e emoções.

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