Das jornadas de Junho em 2013 ao impeachment e a uma campanha capenga em 2016, “várias queixas”

Nas eleições de 2016 e na conjuntura nacional encontramos nítidos exemplos da dificuldade do congresso nacional ouvir e interpretar as demandas da população brasileira.

Enviado por Michel Chagas via Guest Post para o Portal Geledés 

Em 2013, o país experimentou um grande aumento de manifestações e movimentos de rua que foram batizados de manifestações de Junho ou Jornadas de Junho. As bandeiras e pautas foram diversas como preço e qualidade dos serviços públicos, contra os gastos nos estádios da copa do mundo, contra a proposta de emenda constitucional 37 que pretendia retirar o poder de investigar do ministério público e até por mais instrumentos de democracia direta no país.

Dessas manifestações resultaram dois importantes pontos de inflexão, o mais controverso e perspicaz foi a transformação de diversas demandas e descontentamentos da sociedade em um movimento pró-impeachment. O outro foi a imposição de uma reforma política que não responde as principais aspirações por uma representação adequada de grupos da sociedade como mulheres, negros, indígenas e juventudes nos espações de poder, não amplia as possibilidades de exercício da democracia direta como nos casos de plebiscito, referendo, iniciativa popular e subscrição por intermédio da internet e não acabou com a instituição da reeleição.

Com o pretexto de redução de gastos com as eleições, desenharam uma campanha capenga e “the flash” que a menos de 20 dias das eleições não aconteceu um único debate televisivo, uma campanha que não é capaz de envolver as pessoas no debate eleitoral e que provavelmente produzirá um abismo ainda maior entre as expectativas da população e as agendas dos mandatários.

Alinhou-se com os anseios das ruas a proibição do financiamento de pessoas jurídicas, mas não foi suficiente para impedir a influência do capital financeiro no resultado eleitoral, pois assistimos os sócios de empresas realizando doações como pessoa física, o que é permitido.

Resta-nos as queixas e a reflexão de como encontrar uma saída para esse cenário onde falamos, falamos e não somos escutados.

*Publicado originalmente no Jornal Atarde da Bahia em 20 setembro de 2016.

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