É preto? É suspeito. Ou sobre a rara presença negra nos bancos escolares da USP

Houve no twitter quem perguntasse se o rapaz agredido na Universidade de São Paulo era realmente estudante da USP. Por que a dúvida? Se ele estava no centro de estudantes e afirmava ser aluno da universidade?

As universidades brasileiras de um modo geral têm poucos Ícaros, mas na USP a presença de negros nos bancos escolares é tão rara que o policial viu-se no direito de encher de porrada o estudante e lhe apontar uma arma. O policial agressor diz “Eu sou policial, eu sou policial”. Para ele, sua farda lhe dá licença para bater. Quando outros alunos solicitam a identificação do policial agressor, ele diz: “Não estou fazendo nada de errado”. Espancar um rapaz negro é ação legítima para a PM de São Paulo que age como capitão do mato em plena luz do dia dentro de uma universidade. Podem imaginar o que essa mesma PM faz à noite nas periferias da cidade?

No Brasil do “não somos racistas de Kamel, Magnolis e Demóstenes ser preto é ser suspeito e a universidade não é o seu lugar. Como diz Sueli Carneiro: “Para o racista a negritude chega sempre na frente dos signos de prestígio social“. Assim, para o policial agressor um centro de estudantes não é lugar de preto. No máximo tolera-se a presença negra nesses espaços de prestígio social se ela estiver com vassoura ou latão de lixo na mão.

Pois bem, Nicolas Menezes Barreto é estudante de Ciências da Natureza na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), USP Leste. É ele o aluno agredido neste vídeo aqui. Abaixo, depois da agressão, Nicolas mostra sua carteira de estudante da USP. Isso muda algo no fato de um policial abusar de sua autoridade contra um cidadão?

 

 

 

 

 

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Fonte: Maria Frô

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