quarta-feira, setembro 22, 2021
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Estereótipos sexistas também prejudicam os homens

Gostei muito deste artigo que Flávio Moreira (autor de dois blogs, um de poesia, e outro de traduções que ele faz; vez por outra, Flávio traz alguns excelentes artigos pra cá) escolheu e traduziu. Tirado daqui, o texto conclui algo muito triste: que homens sentem-se ameaçados pelo sucesso de suas parceiras.

E aí mais uma vez aparece a vantagem da pessoa viver um relacionamento feminista, como o que eu vivo. O maridão gosta muito do meu sucesso, e eu do dele. A gente nunca compete (bom, talvez pelo amor da gatinha). A gente coopera. Aliás, acho que o mundo só teria a ganhar se adotasse um lema como “menos competição, mais cooperação”.

Mas aí eu fiquei pensando: assim como existem mulheres que se fazem frágeis pra que o parceiro se sinta mais forte (tipo, pedindo pro cara abrir um frasco de conserva que não está tão apertado), será que há mulheres que se subvalorizam ou até subconscientemente se auto-sabotam no emprego pra sempre poder ficar atrás do parceiro no quesito profissional?

Não sei, mas é só mais um indício de como o machismo é ruim pra todos. Claro que afeta homens e mulheres de maneiras diferentes, e claro que é pior pra mulher. Mas machismo é mesmo péssimo pro planeta como um todo.

ESTEREÓTIPOS SEXISTAS TAMBÉM PREJUDICAM OS HOMENS

por Flávio Moreira

Dos anais sobre como estereótipos sexistas também prejudicam os homens: nova pesquisa publicada noJournal of Personality and Social Psychology (Boletim de Personalidade e Psicologia Social) mostra que homens heterossexuais se sentem mais ameaçados pelo sucesso de suas parceiras do que as mulheres.

Gostei muito deste artigo que Flávio Moreira (autor de dois blogs, um de poesia, e outro de traduções que ele faz; vez por outra, Flávio traz alguns excelentes artigos pra cá) escolheu e traduziu. Tirado daqui, o texto conclui algo muito triste: que homens sentem-se ameaçados pelo sucesso de suas parceiras.

E aí mais uma vez aparece a vantagem da pessoa viver um relacionamento feminista, como o que eu vivo. O maridão gosta muito do meu sucesso, e eu do dele. A gente nunca compete (bom, talvez pelo amor da gatinha). A gente coopera. Aliás, acho que o mundo só teria a ganhar se adotasse um lema como “menos competição, mais cooperação”.

Mas aí eu fiquei pensando: assim como existem mulheres que se fazem frágeis pra que o parceiro se sinta mais forte (tipo, pedindo pro cara abrir um frasco de conserva que não está tão apertado), será que há mulheres que se subvalorizam ou até subconscientemente se auto-sabotam no emprego pra sempre poder ficar atrás do parceiro no quesito profissional?

Não sei, mas é só mais um indício de como o machismo é ruim pra todos. Claro que afeta homens e mulheres de maneiras diferentes, e claro que é pior pra mulher. Mas machismo é mesmo péssimo pro planeta como um todo.

ESTEREÓTIPOS SEXISTAS TAMBÉM PREJUDICAM OS HOMENS

por Flávio Moreira

Dos anais sobre como estereótipos sexistas também prejudicam os homens: nova pesquisa publicada noJournal of Personality and Social Psychology (Boletim de Personalidade e Psicologia Social) mostra que homens heterossexuais se sentem mais ameaçados pelo sucesso de suas parceiras do que as mulheres.

Na verdade, dizer “mais ameaçados” seria subvalorizar as descobertas, já que os resultados mostram que a autoestima da mulher não é abalada de forma alguma por saber que seu parceiro é bom em algo em que ela não é. As pesquisadoras conduziram uma série de diferentes estudos para medir a autoestima implícita e explícita dos pesquisados e como ela seria afetada pelos sucessos e fracassos do parceiro. Como explica Julie Beck em seu artigo no Atlantic, os resultados são absolutamente deprimentes:

“Parece que não importa para os homens quais as circunstâncias do sucesso de suas namoradas. Seja ele social ou intelectual, esteja ele ligado ao fracasso do namorado ou se é somente algo que a mulher alcançou independentemente do que o namorado fez, os homens ainda tendem a se sentir mal consigo mesmos quando suas namoradas são bem sucedidas. Mas isso é válido somente para a autoestima implícita (subconsciente) -– não temos como saber se os homens não declaram abertamente que se sentem pior em relação a si mesmos, seja porque não percebem isso conscientemente, seja porque não querem mostrar-se como idiotas inseguros.”

Ainda bem que esse estudo está isento de especulações sobre como isso deve ser um traçoinerente desenvolvido nos nossos dias de caçadores-coletores e, em vez disso, segue a sugestão mais provável de que os homens absorveram estereótipos de gênero que retratam homens como inerentemente mais espertos e mais capazes do que mulheres:

“Existem pelo menos duas outras razões pelas quais pensar no sucesso da parceira pode levar a uma diminuição da autoestima implícita nos homens. Uma delas é que a auto-avaliação positiva decorre, em parte, de papéis gratificantes, tipicamente associados ao gênero da pessoa (Josephs et al, 1992).
“Há estereótipos de gênero em que os homens são tipicamente associados à força, à competência e à inteligência; o sucesso de um parceiro, especialmente se interpretado como fracasso próprio, não é compatível com o estereótipo e pode afetar negativamente a autoestima. Os homens se pintam como sendo mais competentes do que de fato são (Paulhus e John, 1998); ser lembrado a todo instante de que sua parceira é bem sucedida pode representar uma ameaça à maneira como veem a si mesmos, diminuindo, dessa forma, sua autoestima implícita.”

As pesquisadoras também descobriram que as mulheres se sentiam otimistas sobre o futuro de seus relacionamentos quando um parceiro obtinha sucesso, e os homens, pessimistas. As autoras especulam que isso está relacionado à crença sexista de que o homem tem sempre que ser o parceiro mais forte, levando-os a temer que suas parceiras queiram trocá-los por alguém melhor (seria interessante ver um estudo semelhante com casais gays).

Fica claro porque essas descobertas são perturbadoras para as mulheres, e não é só porque mulheres não querem ter que se preocupar que seus parceiros estejam secretamente ressentidos com seu sucesso profissional, vitórias no pôquer e realizações em jogos de perguntas e respostas. Os resultados também podem expor raízes de abusos domésticos, já que homens que demonstram maior necessidade de “vencer” na relação podem se sentir mais motivados a minar e controlar suas parceiras (não é o estudo que sugere isso, é o autor do artigo em inglês).

Mas esses resultados também deveriam ser perturbadores para os homens. Sentir-se inseguro e competitivo em relação à sua parceira não é jeito de viver. As pesquisadoras sugerem que esse tipo de sentimentos pode ser remediado através do reaprendizado de como pensar sobre os papéis de gênero, isto é, tornar-se mais feminista. Assim, adiciona-se mais um estudo a uma pilha que só faz crescer e que mostra que o feminismo, apesar das alegações conservadoras em contrário, é na verdade bom para os casais e para a harmonia entre os sexos.

Fonte: Lola escreva Lola

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