Honorato diz que ainda existe racismo no judô do país

Ex-atleta foi o único homem negro a conquistar uma medalha olímpica na modalidade

Na Band

Ao abordar a tonalidade das suas medalhas, as feições do ex-judoca Carlos Honorato, de 41 anos, são tomadas pelo orgulho. O medalhista de prata na categoria médio na Olimpíada de 2000, em Sydney, entretanto, não consegue esconder seu constrangimento quando o assunto é o preconceito contra a sua cor de pele, que ainda existe.

“Na minha época, a questão de raça era mais forte. Eram poucos como eu que estavam disputando as provas de judô pelo Brasil”, explica o ex-atleta, que atualmente vive em São Paulo, em entrevista ao Metro Jornal. Entre os 16 pódios conquistados pelos homens brasileiros na modalidade, só um teve um representante negro, que foi o próprio Honorato.

Na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) realizada pelo IBGE e divulgada no fim do ano passado, 53% dos brasileiros se declararam negros ou pardos. Isso representa um número muito superior quando comparado com as conquistas do afrodescendente no judô masculino.

“Quando eu ainda disputava as principais competições, os atletas não tinham acesso livre aos centros de treinamento das Forças Armadas. Isso foi um grande avanço para o esporte”, acredita Honorato.

A modalidade já deu 19 medalhas olímpicas ao país. Entre as judocas, existe uma maior representatividade da população negra. Mas isso não significa que o preconceito também não aconteça. Em 2012, a campeã mundial Rafaela Silva foi atacada por comentários racistas nas redes sociais.

À época, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) emitiram uma nota repudiando “qualquer manifestação de racismo, seja contra atletas, membros de delegações ou qualquer outra pessoa”. “Eu nem gosto muito de dar ênfase para essa questão. Para mim, o esporte é para todos”, conclui Honorato.

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