quarta-feira, setembro 22, 2021
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Márcia Lima: “Debate racial mudou de patamar. Não vejo mais os jovens aceitando silenciamento”

A socióloga Márcia Lima (Barra do Piraí-RJ, 1971) coordena há um ano um núcleo de pesquisa sobre a questão racial em um dos mais prestigiosos centros de estudos sociais e políticos do Brasil, o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). Seu grupo, o Afro (Núcleo de Pesquisa e Formação em Raça, Gênero e Justiça Racial), foi criado em novembro de 2019 com a proposta não somente desenvolver e dar visibilidade para pesquisas sobre desigualdade racial, mas também abrir um caminho para que intelectuais negros ocupem mais espaços de excelência.

É esse trajeto que a própria pesquisadora percorre há 30 anos —desde a sua graduação na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde também fez doutorado em sociologia, nas passagens por instituições de prestígio internacionais como Columbia e Harvard (EUA) e no trabalho como professora da Universidade de São Paulo (USP) e no Cebrap, onde atua há 17 anos. De exceção na sala de aula, testemunhou o processo que levou os estudantes negros a se tornarem, em 2018, a maioria dos ingressantes das universidades públicas —fenômeno incentivado, em grande parte, pela Lei de Cotas que em 2022 completará 10 anos e terá de passar por um processo de revisão. Será essa a “prova de fogo” na discussão sobre igualdade racial nos próximos anos, ela avalia, no contexto de um Governo que promove uma agenda de “destruição de direitos” e nega a existência do racismo. Lima é também uma das organizadoras da primeira coletânea de textos da historiadora e filósofa Lélia Gonzalez (1935-1994) publicada por uma grande editora e, nesta entrevista, denuncia a falta de reconhecimento de pessoas negras como intelectuais, mas avalia com entusiasmo o interesse da atual geração de pesquisadores por esses pensadores.

A socióloga conversou com o EL PAÍS na última terça-feira, 17, antes de virem ao noticiário cenas da brutalidade que, na véspera do Dia da Consciência Negra, levou à morte de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, por dois seguranças brancos de um supermercado da rede Carrefour em Porto Alegre. A pedido do jornal ela respondeu a mais três perguntas sobre o caso por e-mail —são elas que abrem esta entrevista.

 

Leia a matéria completa no site do El País 
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