ONU descreve situação na capital marfinense como “dramática”

A situação humanitária em Abidjan, capital econômica da Costa do Marfim, se tornou “absolutamente dramática” para os civis presos em meio aos combates, afirmou a ONU. “A situação humanitária voltou a se agravar e se tornou absolutamente dramática em Abidjan, onde os combates continuam”, declarou Elisabeth Byrs, porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

Mais cedo, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos anunciou que dezenas de pessoas morreram em combates com armas pesadas nos últimos dias em Abidjan. “Em Abidjan, nós estamos obviamente extremamente preocupados com a situação dos civis em uma cidade tão grande, com uma população de milhões de pessoas, com armas pesadas sendo usadas dentro de áreas urbanas densamente povoadas e que deixaram dezenas de mortos nos últimos dias”, declarou Rupert Colville, porta-voz do Alto Comissariado.

A batalha de Abdijan, iniciada em 31 de março pelas forças do presidente reconhecido pela comunidade internacional, Alassane Ouattara, adquiriu outra dimensão com a participação desde segunda-feira das Nações Unidas e da França, quatro meses depois de uma crise pós-eleitoral que gerou um conflito que se aproxima de uma guerra civil. O presidente Laurent Gbagbo, derrotado nas urnas, não admite deixar o poder.

Segundo Ahoua Don Mello, porta-voz de Gbagbo, as forças do presidente controlam o palácio presidencial em Abidjan, assim como a residência presidencial e o acampamento militar de Agban. Gbagbo “está surpreso de que a França ataque diretamente a Costa do Marfim”, quando na realidade “nunca fechou a porta ao diálogo”, disse o porta-voz, Ahoua Don Mello. Indagado sobre uma possível rendição de Gbagbo, o porta-voz respondeu: “neste momento, isso não está sendo considerado”.

Costa do Marfim: da eleição presidencial a nova guerra civil

Em 28 de novembro de 2010, os eleitores da Costa do Marfim foram às urnas na esperança de escolher o novo presidente para um país que há menos de 10 anos vivera uma violenta guerra civil. No entanto, quatro meses depois, quando o novo governo já poderia estar em plena gestação, o país se encontra dividido entre forças rivais que disputam a vitória eleitoral e, com ela, a liderança legítima da nação.

De um lado está Laurent Gbagbo, presidente desde 2000 e com sede no Sul do país; do outro, Alassane Ouattara, sediado no Norte e com amplo apoio da comunidade internacional. Enquanto a pressão pela renúncia de Gbagbo cresce e o avanço de Ouattara em direção a Abidjan se concretiza, o país se aproxima de guerra civil, na qual dezenas de milhares morreram e milhares deixaram o país.

 

Fonte: Terra

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