segunda-feira, novembro 28, 2022
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UGT/ES participa de Ato contra Racismo Institucional na UFES e lança Nota de Repúdio

“Racistas, racistas, não passarão. A juventude negra vai fazer revolução”, com esse canto de ordem entoado ao som de tambores, tamborins, surdos e chocalhos, e munidos de cartazes cerca de cem estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), ocuparam o prédio da reitora para pedir a exoneração do professor de economia, Manoel Luiz Malaguti, denunciado por práticas racistas dentro de sala de aula.

Do: UGT

A manifestação foi organizada pela turma do segundo período do curso de Ciências Sociais, depois que o professor durante a aula de Introdução à Economia Política, da última segunda-feira (03), fez afirmações contrárias ao sistema de cotas adotado pela universidade.

De acordo com os alunos, o docente teria dito que a qualidade do ensino da instituição federal caiu por culpa dos cotistas, sobretudo, os cotistas negros. Malaguti teria ido além e afirmado, segundo os estudantes, que “detestaria ser atendido por um médico ou um advogado negro”.

Reitoria ocupada

Os estudantes se concentraram no pátio, entre os prédios IC-II e IC-III, e, por volta das 16h, saíram em passeata na direção da reitoria. Eles entraram no prédio e, enquanto a maioria permaneceu no andar térreo, cantando gritos de ordem contra o racismo e o docente, alguns subiram e fixaram faixas pedindo o fim do preconceito e do genocídio de negros.

O estudante do segundo período, João Victor dos Santos, leu uma nota de repúdio, formulada pela turma, as declarações de Malaguti. Ao fim da leitura, os alunos queriam que o reitor da universidade, Reinaldo Centoducatte, se pronunciasse sobre as declarações do docente.

A vice-reitora, Ethel Maciel, desceu até onde estavam os alunos e informou que foi aberta uma sindicância para apurar a denúncia dos estudantes e que será instaurado um inquérito administrativo para analisar as infrações cometidas pelo professor, além de estabelecer sanções.

A UGT/ES também participou do ato e divulgou a seguinte nota de repúdio:

Racismo Institucional na UFES

“Cabe à Universidade Federal Capixaba expurgar esse verdadeiro ‘câncer’ de ventre”

Nós negras e negros da UGT-ES, junto com o Fórum Municipal da Juventude de Cachoeiro de Itapemirim, vimos veementemente REPUDIAR as atitudes racistas do professor MANOEL MALAGUTTI da Universidade Federal do Espírito Santo – UFES, que durante uma aula de Introdução à Economia para estudantes do curso de Ciências Sociais, ao se referir às “Cotas Raciais e Econômicas”, afirmou que: “Os alunos cotistas diminuem a qualidade da universidade;  e que detestaria ser atendido por um médico ou um advogado negros” concluindo ainda: “devido às cotas, tenho que baixar o nível de minhas aulas para que todos possam compreendê-las”.

A atitude racista do professor nos causou náuseas. Primeiro pela falta de bom senso do cidadão, e segundo, e mais grave, pela atitude fascista partir de um “professor” universitário, que deveria pelo contrário, suscitar às consciências e o bom senso dos estudantes. Mas, ao contrário disto, ele incita e prega o preconceito socioeconômico e o racismo. MANOEL MALAGUTTI, afirma que os estudantes cotistas não conseguem acompanhar as aulas porque tiveram uma formação básica inferior. Mas as estatísticas provam que na média, são os cotistas que possuem as melhores notas.

Somos negr@s, pobres e trabalhador@s, porém, capazes. Capacidade e a inteligência não são medidas pelo o que a pessoa tem, muito menos pela a cor de sua pele. E sim pelo o que ela é, e ainda, pelo o que se dispõe a fazer para apreender a ser mais e melhor naquilo que se propõe a fazer.

Vamos aguardar e acompanhar de perto o desenrolar dessa atitude criminosa dentro da UFES. Sem dúvidas queremos crer tratar-se de um “caso isolado” de racismo institucional na universidade. Saberemos com certeza, a partir do seu desfecho. Afinal, nem os estudantes nem a sociedade capixaba merecem conviver com o “racismo institucional”.

UGT/ES e Fórum Municipal da Juventude de Cachoeiro de Itapemirim

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