Geledés participa de evento paralelo em fórum da Unesco

Enviado por / FonteKatia Mello

Artigo produzido por Redação de Geledés

Suelaine Carneiro, coordenadora de Educação da organização, foi uma das panelistas no lançamento do “Volume X da Coleção História Geral da África”

Geledés – Instituto da Mulher Negra participou de evento paralelo do 3º Fórum Global contra o Racismo e a Discriminação da Unesco, que começou nesta terça-feira, 29, e vai até a sexta-feira, 1. Suelaine Carneiro, coordenadora de Educação de Geledés, foi uma das panelistas do debate promovido no lançamento do Volume X da Coleção História Geral da África

Na abertura do evento, Marlova Noleto, diretora e representantes da Unesco no Brasil, destacou a relevância da coleção ao considerá-la “iluminadora da narrativa sobre as políticas do continente africano”, em especial o livro que trata da África e de suas diásporas no plural, inclusive a diáspora brasileira. Além de Marlova, estavam na mesa de abertura ZaraFigueiredo, secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi-MEC), Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco e a moçambicana Ângela Melo, representante da direção das Ciências Humanas e Sociais da Unesco.

Angêla Melo foi a mediadora do painel sobre o lançamento do Volume X da Coleção História Geral da África. Ela informou sobre o processo de tradução dos volumes anteriores e que este livro com 1.135 páginas, 70 capítulos, foi escrito por 71 autores e coordenado por uma brasileira, a historiadora e professora do Penn Museum na Universidade da Pensilvânia, Vanicéia Silva Santos, presente no evento. 

Valter Silvério, professor da Universidade Federal de São Carlos e membro do Científico Internacional da Coleção História Geral da África, relatou a dimensão de como essa coleção mudou a concepção da História global. “Não se fala mais em História Antiga e sim em História Inicial”, disse ele ao se referir à revisão dos conceitos e das rupturas epistemológicas necessárias nos contextos pan-africano e mundial que foram apresentadas desde o volume anterior da coleção. 

Foto: Nathalie Rocha

Sobre a diáspora brasileira, Suelaine Carneiro destacou a importância de se abordar a diáspora africana no mundo, pois foram diversas as maneiras utilizadas para manter, reafirmar a identidade africana, assim como ressignificar os valores civilizatórios que essas populações trouxeram em seus corpos. “Não trouxemos malas, sementes, ferramentas. Nossos saberes, técnicas, tecnologias foram explorados, mas os valores civilizatórios africanos foram ressignificados na diáspora e constituem a cultura brasileira”, disse ela. 

Suelaine ainda lembrou de como a tradução da Coleção em 2010 serviu de sustentação à produção de material didático para as escolas de educação básica e à formação de professores da rede pública. Falou ainda sobre a pedagogia do hip-hop, do funk, dos slams nas escolas como processo de aprendizagem. “A Coleção é um instrumento poderoso para que os jovensse fortaleçam, compreendam os processos que nos mantém na indigência e construam suas estratégias de resistência”, afirmou a educadora. 

Já Iraneide Soares da Silva, presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN) analisou os impactos no Brasil das recém-completadas duas décadas de cotas nas universidades. “Esses últimos 20anos se formou uma intelectualidade mais fortalecida. Há uma mudança no modo de pensar a universidade em nossa sociedade”, disse ela. 

No debate final, Suelaine Carneiro reforçou a ideia de uma maior fiscalização por parte dos Conselhos municipais e do Tribunal de Contas na implementação da Lei 10639/03 que obriga História e Cultura Afro-Brasileira e Africana no currículo escolar. “Esse material não pode só ficar nas prateleiras”, disse ela. 

Para o ano que vem, a representante da Unesco anunciou o lançamento dos volumes IX e XI da Coleção História Geral da África.

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