sexta-feira, fevereiro 3, 2023

Malandragens Intelectuais

Depois de anos distante Maurílio vai a casa de seus pais, no Lins de Vasconcelos, seu bairro de infância e adolescência, fazer uma visita. Comenta com sua esposa que muita coisa mudou por lá e que estranhamente continuam as mesmas. A primeira pessoa que reencontra é Edmilson, chamado por todos de Nego.

Por Marcio André dos Santos, do Medium 

— E ai Maurílio, cumé que ta família? Pô, mó tempão hein..

— Podes crer Nego, tempão mermo. E você irmão, como tá?

— To ai né mano? Na luta ai do dia a dia, mas ta tranqüilo. Pô, tô sabendo que tu estudou a pampa né mano? De vez em quando esbarro com teus coroa ai e eles me falaram. Mó moral isso, morô?

— Verdade. Fui fazer faculdade né mano. Fiz ciências sociais e continuo estudando, agora ciência política.

— Pô, a cabeça deve estourar de tanto livro né não? Vai virar político hein parceiro? Mas ai, acho maneiro a pampa. Tu ta certo neguinho. Firmeza total ai contigo mané.

— Não é bem isso não. A idéia é estudar os modos pelos quais a dimensão política atua em nossas vidas, as transformações geradas pelas ações políticas e um monte de outras coisas. Mas me fale ai de você. Casou, como tá isso?

— Fechei com uma mina ali, de responsa mermo, tá ligado? Mas ai neguinho, tô cheio de filho ai no morro, tá foda .. (ri)

— É mesmo? Quantos filhos cê tem família?

— Pô, tenho quatro moleques ai na comunidade. Tudo com mina diferente. Sabe como é né neguinho? Morro é foda. Um monte de filé dando mole a gente pega logo e ai é filho. Mas ai, tá tudo tranquilão. Sempre dou uma assistência a geral, sacou? Falta comida não.

— Isso é importante. E os trabalhos? Tá fazendo o que ai irmão pra ganhar a vida?

— Pô neguinho, tenho uns trampos ai, tá ligado? Tava com um trabalho fixo numa oficina em Madureira, mas ai o patrão resolveu cortar um montão lá. Disse que o fluxo de carros pra conserto estava secando, os clientes sumiram, enfim jogou esse caó pra cima da gente. Agora tô ai vendendo umas paradas, mas tá tranqüilo, tô levando de boa…

— O importante é não parar e não dar sorte pro azar, sacou? Além do mais tem sido constante a redução de mão-de-obra hoje em dia no mundo inteiro, especialmente em países de economias mais frágeis como aqui na América Latina, infelizmente. Isso é devido a uma série de crises e transformações do sistema capitalista e do modo de produção que o sustenta, ainda que em constante mudança.

— Sistema o que?! Mano, que sistema que nada. Só sei que ta brabo, ta ligado? Esse é o sistema aqui. Tem um monte de mano ai no morro que ta sem trampo já a um tempão. Ficam ai o dia inteiro andando pra lá e pra cá sem fazer nada. Tem até uns que descem pro asfalto na tentativa de ver uma vaga de trabalho, mas chega lá sempre inventam uma desculpa pra não contratar, ta ligado? Outro dia o Vaguinho tava dizendo que foi ver um emprego de (office) boy numa firma ali e chegou lá tinha um branquinho e mais um pretinho também na disputa. Só que o Vaguinho já trabalhou com essa parada um tempão. No final escolheram o branquinho lá, bem mais novo que ele e sem experiência nenhuma. Pô, o Vaguinho ficou boladão mané. Mas ai, isso acontece direto com geral aqui.

— Entendo.. Cara, na verdade isso é um tipo discriminação racial. E no Brasil essa discriminação muitas vezes é sutil, entende? Os caras não dizem que não vão te escolher porque você é negro. Simplesmente escolhem o branco. É um problema sério esse. Pelo que me parece o Vaguinho tinha mais possibilidade de conseguir a vaga, mas ai devido a cor da pele, tipo de cabelo, enfim, devido ao seu fenótipo os caras não escolheram ele. Racismo, simplesmente. Isso é odioso.

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— Pode crer neguinho. Eu mesmo já sofri esse bagulho ai de racismo, ta ligado? Alias, várias vezes. Aqui no morro mermo, ta ligado? Vira e mexe os canas param a gente pra dar dura. To até acostumado já. Nem faz muito tempo me pararam ali embaixo na Bica, tava tomando uma cerva ali com uns parceiros e os caras vieram fechando o tempo ai. Sem com que eu abrisse a boca, me deram um tapão no rosto. Pediram o documento e tal, dei, falei que era trabalhador e o cara não acreditou, claro. Perguntou onde eu trabalhava e quem era meu patrão. Falei que meu patrão era Deus e eu mermo, morô? Pô, o polícia ficou mais bolado ainda e chegou a destravar a pistola, depois tentou me esculachar. Só que ai chegou um outro policial, pretinho tipo a gente ta ligado, e mandou o cara ficar na moral. Mas ele me deu mais um tapão e me chamou de macaco filho da puta, de criolo e o escambau. Essas paradas revoltam mano, ta ligado? Humilhação…

— Puts!! Jura? Isso revolta mesmo Nego. Infelizmente tem sido assim desde o século passado. A polícia militar foi criada basicamente pra conter os pobres em benefício das elites e o racismo é o modus operandi deles. O discurso da manutenção da ordem serve muitas vezes para oprimir oprimidos e deixar bem tranqüilo quem manda no país. Linhas gerais, é isso o que acontece.

— Modos o que?! Mano, sei que to cansado dessa porra. Toda semana tem polícia ai na área. Tudo bem que quando a gente era moleque também tinha, mas hoje em dia é demais. E eles entram nas casas das pessoas na maior marra, com o pé na porta mesmo e ainda xingam morador. E o pior é que eles não vem pra estabelecer ordem nenhuma. Pelo contrário, querem é o regalo deles, morô?

— Mas e o morro como é que ta? Me disseram que tem um monte de moleque ai agora no tráfico, é verdade?

— Um monte?! Tem até fila pra entrar no movimento. Morre um tem mais uns 10 esperando pra entrar. O bagulho é louco. Também tu quer o que? Os moleques não tem muita opção aqui, morô? Só tem uma escola pública e mesmo assim ta uma merda. Professor não quer dar aula direito, vivem faltando. Não tem merenda decente, livros tudo velho. Emprego os caras não conseguem porque os patrão alegam que eles não tem experiência. E tu ta ligado que não é bem isso. Não contratam porque não gostam da gente. Esses putos não gostam de preto não neguinho!

— Sim, esse é um dos maiores problemas que temos hoje em dia, ou seja, a proliferação do tráfico de drogas ligado a uma total falta de perspectiva pra juventude. E o pior é que as poucas políticas públicas nesta área não chegam a todos os lugares. Sabe dizer se tem alguma iniciativa por aqui da prefeitura ou do Estado ligado a prevenção ao uso de drogas? Tem alguma ONG atuando neste sentido?

— On o que?! Que prevenção mano? Eles querem mais é que a gente se dane, que morra tudo ai na míngua, com a cara no asfalto quente. Nunca vi tanto crack como agora. Antigamente a rapaziada fumava um bagulho aqui e acolá, mas tava tranqüilo. O cara fumava o bagulho dele e ia trabalhar, morô? Hoje em dia não. Os moleques pegam a pedra do crack, fumam e ficam na paranóina de fumar mais. Ai neguinho, é só pele e osso, ta ligado? Horrível mané!! E o pior é que nem tem como ajudar muito, eles ficam obcecados por isso. Outro dia soube de um moleque ali que esfaqueou o próprio pai porque queria vender a televisão de casa pra comprar mais pedra e o pai não deixou. Isso ta acontecendo direto aqui.

— É o fim.. Cara, isso me entristece demais. E o que me deixa mais puto é que pouco ou quase nada se faz, né não?

— Podes crer. Ta sinistro mesmo. Os caras se matam de bobeira. Semana passada mesmo morreram uns quatro ali no beco. Disseram que deviam ao traficante ali e o cara já não agüentava mais cobrar e resolveu detonar os moleques. É comum, é comum..

— E o pior Nego é que é uma geração de jovens que poderiam transformar a vida da comunidade. Os caras poderiam estar estudando, trazendo melhoramentos pra área, tipo incentivando a participação popular, cobrando políticas públicas ao Estado e tudo o mais. Tem comunidades em que isso ocorre…

— Pois é, mas não tem sido assim. Não vejo nenhuma organização fazendo é nada aqui. Pra ser sincero de vez em quando tem um pessoal ai da igreja que faz uns cultos ai pra fortalecer a rapaziada. Mas é só. Agora em época de eleição aparece um monte de político ai dizendo que vai fazer e acontecer pela comunidade. Depois que são eleitos metem o pé, somem da área. Cansei já mano. Cansei. Devem achar que a gente é tudo palhaço.

— É sempre assim, eu sei. Nas últimas eleições eu vi isso aqui. Voto ali na Macedo (escola pública). Cara um fenômeno!! Uma multidão de gente na rua fazendo panfletagem pros políticos de direita e de centro. Um tio meu mesmo estava fazendo panfletagem e ai perguntei a ele porque já que os caras não fariam nada pra melhorar o morro. E ele disse que era porque ganhava vinte contos (vinte reais) por dia. Ou seja, esse batalhão todo de gente trabalhando o dia inteiro pra ganhar 20 reais cada um.. E olha, que a imensa maioria eram de negros, como é comum aqui.

— Eu mesmo trabalhei nisso neguinho. Tu quer o que? Tem gente ai que ta comendo arroz com ovo, malandro! Não ta mole não. Com vinte contos tu já compra um quilo de carne de segunda, um arroz e umas fruta, sacou?

— Temos que ter dignidade e não ficar fortalecendo políticos que não trarão nenhum benefício pra gente.

— Pra gente?! Tu nem mora mais aqui neguinho! Além do mais, político nenhum traz benefício pra gente. Pra mim e pra geral aqui política significa roubalheira. É um bando de canalha mermo, ta entendendo? Eu sempre voto em branco. Foda-se todo mundo! Não acredito nesse sistema não.

— Cara, sei que a imagem pública dos políticos no Brasil é a pior possível e isso tem uma longa história. A política se transformou em uma via fácil de ganhar rios de dinheiro, de gerar corrupção e favorecer parentes, amigos e cumpadres. É uma vergonha mesmo. Mas a esquerda tem sido…

— Esquerda? Que esquerda mano?! Ai, na boa. Não estudei como você, mas não sou burro morô? Não tem nem esquerda nem direita nem nada. To careca de ouvir promessa de gente que se diz de tudo, sacou? Pô, todo mundo dizia que o Lula quando ganhasse as eleições iria mudar nossas vidas, lembra? Mudou nada. Eu continuo ferrado e fudido como todo mundo aqui. 35 anos e sem perspectiva, morô neguinho?

— Compreendo seu ponto de vista, sua indignação e tudo o mais. No entanto, mudanças estruturais são demoradas e complexas. O governo Lula fez avanços substantivos em várias áreas: educação, tecnologia, relações internacionais, política racial etc. Inclusive com o governo Lula as políticas de ação afirmativa se fortaleceram como jamais vimos e isso pra nós, negros, é super importante.

— Ai neguinho, na boa. Não me interessa as tais mudanças estruturais, quanto tempo leva e tal. O que me interessa é se vou ter grana pra comprar o pão dos meus menino amanhã, ta ligado? Vai falar ai pra rapaziada que ta entrando no tráfico que as mudanças estruturais estão chegando, que tem ação não sei o que ai pra eles. Vão é rir da tua cara e depois te dar um tiro! A gente ta cansado de blá blá blá, de caó de político. Tenho mó respeito por você, mó admiração, morô mano, mas essa sociologiazinha ai não serve praqui não, pra entender nossa tragédia, morô? É tipo naquele rap, ta ligado? Essa porra é um negro drama total!

— Eu sei, eu sei.. Você ta certo. Há uma distância imensa entre o que se pesquisa nas universidades e os dramas do povo especialmente no campo das ciências sociais. Eu sei disso. Mas tem coisas boas acontecendo e tem gente querendo encurtar essa distância. Pense que seus filhos poderão entrar na universidade um dia porque agora tem políticas de cotas, saca? Isso porque o movimento negro brigou muito pra que isso fosse possível e…

— Movimento negro? Nunca vi nenhum movimento negro por aqui não xará. Já até ouvi falar na televisão, mas aqui esses caras não chegam. Dá uma olhada ali na boca. Tudo preto neguinho! Os maluco tipo eu e você assim, ta entendo? Uns mais escuros, outros mais claros, mas tudo preto. E cadê o movimento negro? Cadê o movimento negro pra fazer alguma coisa, uma palavra, dar uma moral pros moleque ai? Pô, esse papo ta mó derrota mermo, morô meu irmão?

— Cara, mas não é tão simples assim. Os movimentos negros também enfrentam uma série de dificuldades pra se estabelecer e conseguir agir na sociedade. Uma das grandes dificuldades dos movimentos negros tem sido a atuação nas comunidades, conseguir se estabelecer e criar alternativas frente ao tráfico.

— Tu quer dizer na favela né? Cara, esse bagulho de ficar chamando favela de comunidade é irritante, ta ligado? Pô, aqui o esgoto corre a céu aberto, só tem uma escola, não tem posto de saúde, tem um monte de rua sem asfalto, o estado que chega aqui é a polícia ai e tu chama isso de comunidade?! Isso é favela mano! A gente é favelado mermo, morô?! Tenho vergonha de falar não, ta ligado? Tenho vergonha é de ser brasileiro nessas condições. É disso que tenho vergonha.

— É que comunidade é um modo de mudar a imagem que se propaga das favelas e das pessoas que moram nela… A mídia chama favela muitas vezes para criar mais negatividade e isso se reverte em desassistência e mais preconceito aos seus moradores. Enfim, te entendo.

— E você, diz por ai que é o que? Um ex-favelado ou um ex-morador da comunidade? Com esse oclinho ai todo modernoso, ta parecendo doutor.

Maurílio não encontra palavra. Enquanto isso Nego ri.

— Difícil tudo isso hein.. difícil.

— Difícil mesmo. Por isso que não condeno que vai pro asfalto tentar a sorte (assaltar). O cara perdeu totalmente as esperanças, vai fazer o que? Todo mundo tem direito de querer ter um carro, uma beca maneira, sacou?

— Mas cara, não pode ser assim! Mudar a realidade não é o mesmo que roubar uma velhinha. Não é assim que funciona.

— Que roubar velhinha que nada?! To falando dos manos que descem pra arrebentar um banco. Quem guarda dinheiro nesse país? Os ricos e a classe média, certo? Esses brancos ai. São eles que controlam as empresas, a economia e nos barram os empregos ou então nos oferecem os piores serviços. Quando os caras assaltam um banco é um modo de compensar a sacanagem feita com os pobres, com os pretos. Isso é compensação. Isso é justiça. Por vias tortas, mas é justiça.

— Mas ai os caras distribuem a grana no morro? Duvido!

— Fazem um churrasco, uma festa ai e um baile funk pra geral relaxar. Compram remédios ai pra quem precisa, fortelece uns cimento, uns tijojo pro cara levantar um barraco…

— E isso é compensação? Isso significa estender a nossa miséria. Não acho que esse seja o caminho. Não mesmo. Devíamos era pensar em nos organizar, essa seria a via mais certa no meu ver.

— Você vai querer nos organizar agora? Ai, na boa neguinho, gosto a pampa de tu mas pra cima de moi não. A gente ta cansado de promessa, de gente que chega com soluções prontas, querendo mandar. Pensam que a gente é marionete. Não rola não.

— Mas não quero liderar nada. Quer dizer, quero ajudar com que aprendi cara. Afinal, me formei na universidade devido as contribuições de pessoas como você. Sinto isso como um dever, um retorno.

— Tu vai voltar a morar aqui? Não vai, é certo. Vai querer organizar o morro pela internet. Ai é fácil, é molinho. Tipo a milícia, controlando tudo do escritório deles.

— Bem.. ainda não sei bem como fazer isso eu acho que…

— E ai quando os canas chegarem a gente manda um email pra tu resolver nossos problemas. Ta ligado? É complicado isso irmão… não tem rolo não.

— Mas cara, na história do movimento negro tem uma série de exemplos que…

— já te falei cara. (Diz com uma certa raiva). Pra gente aqui não tem movimento negro nenhum. O que tem é um monte de preto e preta se ferrando. E monte de paraíba também, ta ligado? Não quero saber de representante de movimento negro aqui não, com roupinha africana e falando bonito. Quero saber do futuro dos meus filhos, dos meus moleque.

— Mas os caras estão tentando mudar isso em várias esferas. Já temos até uma secretaria especial pra fazer políticas e uma série de ações no sentido de….

— Tudo bem, mas cadê as políticas? Não vi nenhuma aqui ainda.

— São políticas em diversas esferas e que irão atingir a nossa população aos poucos. Tipos as cotas, por exemplo…

— Cara, me fala uma coisa. Como eu posso conseguir a cota se nem o segundo grau eu terminei? Cumé que tu vai falar de cota pros moleques ai que nem estão indo pra escola, entendeu? Só negro rico é que vai ser beneficiado por isso.

— Não é bem isso não. Reconheço que somente os negros que terminaram o segundo grau que irão usufruir deste tipo de política e que os outros terão que esperar um pouco mais.

— Esperar até morrer pelo polícia ou por outros bandidos você quer dizer..

— Sei que é difícil, mas também não é possível fazer tudo…

— Ai neguinho, legal tuas palavras bonitinhas ai de políticas e tal, mas isso ta longe da minha realidade, ta ligado no bagulho? Tomara que esse tal de movimento negro se toque e tente trabalhar mais pelos negros que não tem como acessar cotas.

— Compreendo seu desapontamento. De verdade. Toda transformação social depende do tempo, mesmo as revoluções. Te garanto que avançamos muito, porém temos ainda desafios imensos. Os resultados das cotas só irão aparecer nas gerações seguintes, quando ai veremos mais médicos, engenheiros, arquitetos e apresentadores de televisão negros. Isso tudo criará uma imagem positiva do nosso grupo fazendo com que mais e mais jovens queiram fazer faculdade. São mudanças de médio e longo prazo.

— Pois é mano. Espero que esse tempo venha logo porque a revolução que tenho visto aqui é a do crack e ele ta matando mais do que a vida dessa molecada ai. Ta matando é a esperança da gente, de todo mundo, ta ligado?

— Sei sei… temos que atuar no sentido de mudar isso.

— Mas ai, vamos falar de outra coisa. E o Flamengo hein? Que timinho de merda…

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