‘Mama África’: congolesa guia tour pela SP dos novos imigrantes africanos

Quem costuma andar pelo centro de São Paulo deve ter notado a presença dos imigrantes africanos:  seja vendendo tecidos coloridos em barraquinhas, conversando dentro de certas galerias, à frente de salões de beleza especializados em cabelos crespos ou simplesmente passando na rua —alguns, com túnicas ou turbantes típicos—,  eles estão mudando a cara dessa região da cidade. Fazem parte do vasto mosaico da nova imigração em São Paulo, como descreveu meu colega Naief Haddad nesta reportagem com fotos de Bob Wolfenson.

Flávia Mantovani no Babel Paulistana

Prudence (à dir.) em barraca que vende tecidos africanos (Foto- Divulgação)

Uma agência de turismo brasileira teve a boa ideia de convidar uma dessas imigrantes para mostrar alguns pontos dessa comunidade por aqui. A congolesa Prudence Kalambay é a guia do walking tour Mama África, da agência Passeios Baratos, que terá uma nova edição neste sábado (11).

Acompanhei esse passeio em julho do ano passado. Alguns dos pontos visitados são um calçadão onde imigrantes vendem tecidos, roupas e bijuterias típicas e —minha parte favorita— uma galeria que concentra comércios de africanos, como lojas de alimentos e o salão de beleza de uma cabeleireira de Serra Leoa. O passeio termina com um almoço no Biyouz, um restaurante camaronês (o almoço é cobrado à parte).

Enquanto isso, Prudence relata sua história de vida e sua experiência como refugiada. Dançarina de ndombolo, gênero popular na África Central, ela foi Miss Congo e hoje é envolvida com vários programas culturais de São Paulo. Carismática, vai encontrando e cumprimentando outros imigrantes conhecidos pelo caminho.

Objetos africanos à venda no centro de SP (Foto- Divulgação)

Junto com ela, uma guia brasileira, historiadora, aborda a chegada dos primeiros negros da África ao Brasil, com paradas em lugares como a igreja Nossa Senhora dos Pretos e a praça Antonio Prado, onde há uma estátua de Zumbi dos Palmares.

Quando eu fui, senti falta de alguns dados básicos sobre os africanos na cidade e de mais precisão nas informações sobre imigração e refúgio no Brasil, mas o roteiro, as informações históricas e o relato de Prudence compensaram isso.

O passeio está previsto para durar 3 horas e meia (o que eu acompanhei durou mais tempo) e custa R$ 40 por pessoa, um preço bem justo para o que oferece.

Tour Mama África: Passeios Baratos. Sáb (11), às 10h. Encontro em frente à catraca do metrô Sé. R$ 40 (ingressos neste link)

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