“Não ficarei em silêncio” Serena Williams citou Martim Luther King para se posicionar sobre tensão racial

Serena Williams desabafou sobre a polêmica racial nos EUA. Em texto publicado em seu Facebook, a tenista norte-americana disse que não se calará sobre os recentes acontecimentos em relação à violência policial contra a população negra nos EUA.

no UOL

Em seu desabafo na rede social, Serena contou uma história cotidiana sobre seu jovem sobrinho negro e terminou refletindo sobre a situação racial nos EUA. No fim, ela ainda reproduziu uma frase do líder Martim Luther King.

“Como o Dr. Martin Luther King disse: ‘chega uma hora em que o silêncio é traição’. Eu não vou ficar em silêncio”, escreveu Serena, em post com quase 45 mil curtidas e sete mil compartilhamentos após três horas.

Há uma semana, a cidade de Charlotte, na Carolina do Norte, no sul dos EUA, tornou-se palco de manifestações contra a morte de Keith Lamont Scott, 43 anos, na terça-feira (20) passada.

Segundo versão da Polícia, Scott foi morto a tiros por um policial porque se recusou a largar uma pistola. Mas testemunhas afirmaram que ele carregava um livro – e não uma arma de fogo. A divergência sobre a morte de Scott reativou a todo vapor a tensão racial nos EUA, com manifestações diárias, quebra-quebra e dezenas de feridos pelo país.

Veja abaixo a íntegra do texto escrito por Serena Williams

[quote font=”helvetica” font_size=”20″ bgcolor=”#” color=”#” bcolor=”#” arrow=”yes”]Hoje pedi ao meu sobrinho de 18 anos (para ser claro, ele é preto) para me levar para as reuniões para que eu possa trabalhar no meu celular #safteyfirst. No caminho eu vi a polícia na beira da estrada. Eu olhei rapidamente para verificar se ele estava obedecendo o limite de velocidade. Então eu lembrei daquele vídeo horrível da mulher no carro quando um policial atirou no seu namorado. Tudo isso passou pela minha cabeça em questão de segundos. Eu até me arrependi não estar dirigindo. Eu nunca me perdoaria se algo acontecesse com meu sobrinho. Por que eu tenho que pensar sobre isso em 2016? Nós [os negros] não passamos por coisas o suficiente, abrindo tantas portas, impactado milhares de milhões de vidas? Mas eu percebi que devemos seguir em frente – por que não é o quão longe nós chegamos, mas quanto mais longe podemos ir. Eu então me perguntei: “eu dei minha opinião”? Eu tive que olhar para mim mesma. E o meu sobrinho? E se eu tivesse um filho? E sobre as minhas filhas? Como o Dr. Martin Luther King disse: “chega uma hora em que o silêncio é traição”.[/quote]

Eu não vou ficar em silêncio,
Serena. 

+ sobre o tema

Combate à violência contra a mulher avança pouco nas últimas décadas

Declarações como a do deputado federal Jair Bolsonaro dificultam...

‘Não foi minha culpa’: mulheres no México lutam contra a violência

Nova geração de mulheres mexicanas foi às ruas nos...

Léa Garcia foi nome importante da arte contra o racismo

A arte brasileira perdeu um de seus maiores representantes...

Rebeca Andrade lidera Brasil à prata por equipes no Pan-Americano

Rebeca Andrade estreou com uma medalha de prata nos...

para lembrar

Mãe Menininha

Nascida no Centro Histórico de Salvador em 10 de...

A cútis é minha, mas quem a define não sou eu…..

Essa semana fui tirar a segunda via da minha...

Os 100 anos do Dia Internacional da Mulher

Em artigo a ministra Nilcéa Freire fala que lutas...
spot_imgspot_img

Exposição em São Paulo com artistas negras celebra a obra de Carolina Maria de Jesus

Assista: Exposição em SP celebra o legado de Carolina Maria de Jesus A jovem nunca tinha visto uma máquina de escrever, mas sabia o que...

Festival Justiça por Marielle e biografia infantil da vereadora vão marcar o 14 de março no Rio de Janeiro

A 5ª edição do “Festival Justiça por Marielle e Anderson” acontece nesta sexta-feira (14) na Praça da Pira Olímpica, centro do Rio de Janeiro,...

Mês da mulher traz notícias de violência e desigualdade

É março, mês da mulher, e as notícias são as piores possíveis. Ainda ontem, a Rede de Observatórios de Segurança informou que, por dia,...
-+=