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Número de mulheres congressistas cresce só 6% em 10 anos no mundo

Apenas três países possuem congressos com participação feminina igual ou superior a proporção de mulheres em suas populações

Por Beatriz Sanz, do R7

 Parlamento do Reino Unido da Grã-Bretanha
Reino Unido tem 416 mulheres no Parlamento, mas elas são menos que 30% do total
Mark Duffy/EFE

A onda feminista que tomou conta das ruas nos últimos anos teve uma resposta nas urnas e, consequentemente, na participação política e legislativa ao redor do mundo.

Segundo dados levantados pela União Interparlamentar e analisados pelo Instituto Pew Research, o número de mulheres congressistas subiu de 18% para 24% nos últimos 10 anos.

No entanto, esse número não representa nem metade da população feminina no planeta.

A América Central foi a região responsável por impulsionar esse crescimento. Entre o fim de 2008 e 2018 a representação feminina nos congressos dessa região subiu 13%, mais que o dobro da média global.

Em seguida, aparecem o Oriente Médio e o Norte da África com um aumento de 9%, além da Europa Ocidental que elegeu 8% mais mulheres do que em 2008.

Mesmo com o crescimento, o norte da África e o Oriente Médio ainda são as regiões com a menor presença feminina nos legislativos, com apenas 17% de mulheres congressistas.

Rumo à paridade

Apesar da melhora nos índices, nenhuma região conseguiu atingir a paridade nos cargos legislativos e somente três nações — Cuba, Ruanda e Bolívia — alcançaram ou superaram os níveis de representação feminina, espelhando sua população.

Ainda assim, ao levar em consideração apenas as Câmaras Altas do Congresso (o equivalente ao Senado no Brasil), Bolívia e Ruanda seriam reprovadas.

Gráfico sobre a representação feminina entre condressistas no mundo
Arte R7

Os países nórdicos, geralmente tidos como referências de democracia e governança, possuem em média 43% de parlamentares. A Suécia se destaca com 47% das mulheres ocupando assentos legislativos.

Cotas para mulheres na política

Ruanda só conseguiu se tornar um dos povos mais igualitários na questão de gênero porque existe uma regra que determina que as mulheres ocupem ao menos 30% de todos os cargos com poder de decisão no país.

A lei foi criada após o genocídio que matou mais de 800 mil pessoas, em 1994.

Outros países da América do Sul e da Europa possuem cotas para a representação feminina no poder legislativo, seja dentro do Congresso ou nos partidos políticos.

No Brasil, há a exigência de que os partidos apresentem pelo menos de 30% de candidatas nas eleições, mas não existe uma regra para a composição da Câmara ou do Senado. Na atual legislatura, as mulheres são apenas 15% do Congresso.

Muitas mulheres, pouca representatividade

O estudo também mostra que nem sempre ter muitas mulheres nos órgãos legislativos significa um reflexo fiel da sociedade.

Um dos principais exemplos é a China, o país que ostenta o recorde de congressistas em todo o mundo, com 742 mulheres. Porém, se comparada ao quadro total, elas representam apenas um quatro dos membros da legislatura.

A situação se repete no Reino Unido. Mesmo tendo  416 parlamentares eleitas, elas não chegam a formar 30% do congresso.

Por outro lado, Cuba e México possuem grandes números de mulheres eleitas, num retrato mais próximo da igualdade.

Nem tudo melhorou

Em alguns territórios, o índice de presença feminina não sofreu nenhuma alteração ao longo dos anos. É o caso da Finlândia, dos Emirados Árabes Unidos, da Eritreia, do Líbano e de Belize.

Esses casos podem ser considerados bons, tendo em vista que em algumas nações, como Liechtenstein e eSwatini (antiga Suazilândia), houve retrocesso. Nos dois países, o número de mulheres eleitas para o congresso caiu pela metade.

Já no Iêmen, que enfrenta uma guerra e uma crise humanitária sem procedentes, é o país com a menor representação feminina em todo o mundo. São apenas 4 parlamentares, o que equivale a apenas 1% de todo o congresso local.

Outras três nações — Micronésia, Papua Nova Guiné e Vanuatu — não possuem nenhuma mulher em seus parlamentos.

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