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Para o Barco não afundar

Para o Barco não afundar

O Candomblé tem sua origem na família, uma religião totêmica e familiar.

Por  Altamira Simões para o Portal Geledés 

Em sua característica totêmica , o candomblé pertence a uma etnia e é representado por elementos da natureza ou por uma liderança, sem distinção de gênero.

Sua característica familiar está para além dos laços consanguíneos. Essa característica familiar se consolida nos vínculos de confiança e de afetos que são vivenciados no cotidiano dos Espaços Sagrados.

Um dos maiores desafios dentro dos Ilês é preservar essa característica familiar, onde os membros da mesma família buscam o bem viver coletivo.

O que percebemos muitas vezes são as influências externas que reverberam nas relações, acentuando os conflitos e o distanciamento das características original do Culto aos Orixás.

Os marcos legais de falta de espaços de poder e de destaque tem levado para dentro do culto disputas que se assemelham aos espaços variados da sociedade destituídos de cunho religiosos.

A vaidade vem se sobrepondo ao amor aos Orixás que devem ser os únicos elementos motivadores dentro da religião.

Reconheço a complexidade de lidar com as especificidades dos indivíduos, aglutinados, muitas vezes, em micro espaços, cada qual com sua trajetória e sua relação consigo, com as pessoas e sobretudo com os Orixás. Não é fácil.

Todavia , mais difícil é a falta de disciplina, a falta de amor, a falta de respeito, a falta do espírito de co – responsabilidade com a Fé alheia. Por que somos responsáveis pela Fé dos irmão e das irmãs. A materialidade da Fé se dá dentro das relações que são construídas dentro desses espaços, porque tudo se relaciona, se enlaça.

Eu sou responsável pela Fé dos Meus Mais Velhos e dos Meus Mais Novos, ser responsável pela Fé um dos outros não fere a hierarquiedade que é estabelecida dentro do Axé.

Ser responsável pela Fé do outro é se esmerar no cuidado, fugir das intrigas e de quaisquer comportamentos que magoe, humilhe e interfiram no desejo do outro de estar reverenciando seu Orixá e dos irmãos dentro do Ilê.

O Candomblé tem sua organização pautada no direcionamento dos Orixás, eles e elas são os únicos Senhores e Senhoras. Entretanto, cada um de nós tem uma missão ou serviço na configuração geral que tem como objetivo o bem comum. Somente o bem comum pode viabilizar o Culto mais próximo da perfeição, e quando falo o culto não estou falando das aparências físicas caracterizadas pelas vestes ou arrumação do espaço, que são importantes mas não podem ser maiores que o Culto íntimo de cada pessoa aos Orixás.
Orixá é Vida.

Orixá é Luz.
Orixá é Caminho.

E é em busca da essência do Orixá, mediante a nossa Fé e a Fé da nossa família de Axé que nos dirigimos ao Espaço Sagrado. Ao menos a ideia é essa.

O Espaço Sagrado não deve ser um lugar de tormento, de angústia, de tristeza e medo, de choro e sofrimento.

Ele deve ser um espaço suave,acolhedor, alegre e cheio de ternura pra que nossas forças sejam renovadas e nossa Fé seja fortalecida.
A responsabilidade de manter o Espaço Sagrado como um lugar de paz são das Yás e Babás , das filhas e filhos sejam elxs pessoas de Cargos, de Títulos Civis, Yaôs, Abians .

Somos Todxs responsáveis , nenhum de nós estamos livres dessa responsabilidade.

E nas trocas das Bênçãos confirmamos nosso entendimento da vivência no Orixá e seguramos firmes no leme para evitar que o Barco afunde.

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