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Peça do grupo Teatro Terreiro Encantado reflete  sobre o genocídio da juventude negra
Créditos da foto: Will Cavagnolli

Peça do grupo Teatro Terreiro Encantado reflete sobre o genocídio da juventude negra

Em debate direto com a atualidade, Auto do Negrinho coloca em cena máscaras e bonecos

produzidos pela companhia para contar história inspirada em lenda que tem

como personagem central uma criança escravizada no sul do país

Por Larissa Corrêa para o Portal Geledés 

Foto: Will Cavagnolli

De 12 a 14 de outubro (sexta-feira a domingo) o Itaú Cultural recebe o grupo Teatro Terreiro Encantado, para três apresentações do espetáculo Auto do Negrinho. Dirigido por Cleydson Catarina, a peça inspira-se na lenda do Negrinho do Pastoreio para fazer um diálogo com o tema do genocídio da juventude negra nos tempos atuais.

Espetáculo produzido no ano passado, Auto do Negrinho parte do folclore nascido no Sul do país, no qual um menino negro escravizado é duramente castigado pelo senhor quando este sente falta de um dos cavalos que o jovem tinha que cuidar. E, ao pensar que o escravo já estava morto, o dono o deixa agonizando, mas ele ressurge, sem ferimentos, montado no cavalo que tinha sumido.

Para levar ao palco a estória de forma atual, o grupo Teatro Terreiro Encantado realiza o espetáculo todo com máscaras e bonecos feitos pela companhia, estimulando no público a reflexão a respeito do genocídio da juventude negra nos tempos de hoje. Para tanto, o diretor Cleydson Catarina também mostra a sua verve como ator, dividindo a cena com os artistas Uberê e Sandro Lima, que faz ainda as vezes de músico, juntamente com Rafael Fazzion.

Auto do Negrinho reforça a proposta do Terreiro Encantado de uso da oralidade das manifestações populares para fazer teatro que de maneira lúdica. Assim, convidam, ainda, o público a participar interativamente do espetáculo.

Sobre diretor e elenco

Cleydson Catarina começou a fazer teatro de rua encenando Autos no interior do Ceará. Estudou direção no Instituto Dragão do Mar, atuou no teatro popular do Movimento Escambo, trabalhando autos e teatro de rua no sertão do Rio Grande do Norte e Ceará. Em Recife, integrou Coco dos Pretos, Boi de Carnaval, Cafuringa (Teatro de Rua) e Maracatu Cambinda de Estrela, sempre dando consultoria cênica e interpretação musical, na construção de bonecos e confecção de figurinos – mesmas funções que exerceu depois em São Paulo com o grupo Os Inventivos, Buraco do Oráculo, Coletivo Negro e Grupo Clariô de Teatro. Em 2016, estreou A Casa das Mulheres da Lua, e em 2017, Auto do Negrinho.

Uberê é artista plástico, poeta, educador, ator e brincante. Compõe movimentos culturais da periferia da zona sul desde 2014, recitando poesias autorais e expondo artes visuais nos saraus da região. Participou até 2016 da organização do coletivo e da casa do Espaço Comunidade. Brinca samba de coco, compondo, cantando e dançando nas sambadas mensais do Grupo Candearte, e integra o Jongo do Embu das Artes e o Candongueiros do Campo Limpo. Pesquisa a ancestralidade e a identidade afroindigena, através da experiência como jovem periférico, artista influenciado pela cultura urbana, referências que leva ao Teatro Terreiro Encantado, pra fazer um teatro popular, de forma lúdica, ocupado com a militância política e social.

Rafael Fazzion começou a tocar aos oito anos no Teatro Popular Solano Trindade, onde estudou por mais de 10 anos ritmos como Samba de Roda, Maracatu, Côco de Roda, Jongo e Congada. Acompanhou artistas como Oswaldinho da Cuíca, Tobias da Vai Vai e Bocato. É autodidata em ritmos como Derbak e música Árabe, atuou como percussionista em aulas de dança afro e de danças populares, além de já ter acompanhado mestres de dança africana como Youssoff Kombassa e Moustapha Bangoura. Pesquisa a música do Oeste da África há mais de 10 anos, período no qual compôs o Ballet Afro Koteba. Fundou com Flavia Mazal a CIA Trupe Benkady, Cia Fankama Obi e o Teatro Terreiro Encantado na linguagem do popular.

Sandro Lima é formado em guitarra pelo CEM Tom Jobim. Estudou violão clássico e popular, canto coral, percussão e teatro. Como guitarrista, integrou as bandas Preto Soul e Al Anda Luz, e como violonista, acompanha o grupo Clarianas. É compositor e músico da trilha do espetáculo Dikanga Kalunga”, solo de dança negra contemporânea da bailarina Kanzelumuka, Cia. Nave Gris. Em 2016, lançou Paratudo, primeiro EP do trio OuroeChá, que acompanha o Mc Fino du Rap. Estudou máscaras cômicas e atualmente é músico e brincante de máscaras e bonecos no espetáculo O Auto Negrinho, do grupo de teatro Terreiro Encantado.

FICHA TÉCNICA

Direção: Cleydson Catarina

Atores e músicos: Cleydson Catarina, Uberê, Sandro Lima e Rafael Fazzion

Contrarregra: Fabio Santos

Técnico operador de luz: Rager Luan

Produção: Paula da Paz

SERVIÇO

AUTO DO NEGRINHO

Dia 12 de outubro (sexta-feira, feriado), às 19h

Dia 13 de outubro (sábado), às 20h

Dias 14 de outubro (domingo), às 19h

Diretor e ator: Cleydson Catarina. Elenco: Uberê, Sandro Lima e Rafael Fazzion.

Duração: 80 minutos

Classificação indicativa: Livre

Sala Multiúso (Piso 2)

Capacidade: 70 pessoas

Entrada gratuita

Distribuição de ingressos:

Público preferencial: 1 hora antes do espetáculo (com direito a um acompanhante, que deve retirar o ingresso ao mesmo tempo)

Público não preferencial: 1 hora antes do espetáculo (um ingresso por pessoa)

Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108

Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural:

3 horas: R$ 7; 4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 10.

Itaú Cultural

Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô

Fones: 11. 2168-1777

Acesso para pessoas com deficiência

Ar condicionado

Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108

Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural:

3 horas: R$ 7; 4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 10.

Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.


** Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do PORTAL GELEDÉS e não representa ideias ou opiniões do veículo. Portal Geledés oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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