Polícia Civil e UFG investigam ranking da ‘pegação’ dos estudantes

A Polícia Civil de Goiânia vai investigar o crime de racismo entre estudantes que divulgaram nas redes sociais uma lista que classifica as mulheres de acordo com suas características físicas. O “ranking da pegação”, como chamam os universitários, cita as negras como “pretinha bonitinha” e “preta feia” e outras mulheres como “gostosa gata”.

no DM

A lista foi produzida para o evento InterUFG (Jogos Internos da Universidade Federal de Goiás), uma das maiores festas universitárias da região Centro-Oeste. Após a repercussão do caso e uma reunião de urgência com os alunos organizadores, a direção da federal decidiu retirar o nome UFG do evento.

A lista que circula no Facebook e em grupos de WhatsApp apresenta “regulamentos” para uma competição entre estudantes cujo vencedor é aquele que mais pontuar ao transar com mulheres.
Segundo o ranking, “mulher casada” vale 10 pontos e “gostosa e gata”, 8. Quem tiver relação sexual com uma delas, acumula 30 pontos. Já transa com “gostosa e feia”, que recebe 4 na tabela, renderia ao estudante 20 pontos.

“Mulher pretinha bonitinha” aparece com classificação 2, “preta mais ou menos”, 0, e “preta feia”, menos 1 ponto. A lista ainda prevê pontuação negativa para “mulher gorda” e, caso o estudante se relacione com “traveco”, é eliminado da competição.

A delegada Laura de Castro Teixeira registrou a ocorrência na Deam (Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher). Segundo ela, a polícia vai apurar inicialmente racismo, mas se houver denúncia de crime contra honra, a delegacia irá investigar.

“O conteúdo é bem misógino. Traz em si uma discriminação racial e configura transfobia, além de discriminar mulheres pela condição biológica”, disse. “Encarar isso como mera brincadeira pode abrir espaço para que males maiores sejam cometidos”, emenda.

racking da pegacao

REITORIA DA UFG

ranking da pegação

A reitoria da UFG repudiou a lista atribuída à festa. “O nome da universidade não poderá ser vinculado ao do evento nas próximas edições, se houver”, disse o reitor Orlando Afonso Vale do Amaral. Segundo ele, caso seus autores sejam alunos da instituição, ele poderão ser expulsos.

“Vamos abrir sindicância para apurar se alguns dos nossos estudantes participaram da postagem, que tem cunho preconceituoso, homofóbico, racista e ofensivo às mulheres. Se confirmada a autoria, haverá sanções que podem ir desde a advertência até a expulsão do estudante”, disse.

Em meio à polêmica, o InterUFG começou na última quarta-feira (25) e seguirá até o próximo domingo.

Em nota, a organização do InterUFG afirmou que repudia todo e qualquer esquema de pontuação de conotação sexual divulgado em redes sociais, assim como a violência, o assédio e a discriminação.

“Não apoiamos esse tipo de postura e seguimos afirmando que a 10ª edição do InterUFG prezará pelo bem-estar, pela segurança, diversão e acima de tudo pelo respeito”, diz trecho da nota.

+ sobre o tema

‘Sexo frágil’ – será?

Para início de conversa esse rótulo está ultrapassado. Em...

BA empossa 1ª transexual no serviço público do Estado

O transexual Paulo César dos Santos, de 25 anos,...

Índias levam bandeiras feministas às aldeias e assumem dianteira do movimento

Nascidas em aldeias indígenas no Acre, Letícia Yawanawá, 49...

para lembrar

Político negro recebe ameaças da extrema-direita nas eleições alemãs

Fonte: Notícas UOL - O partido de extrema direita NPD...

Sexo e gênero e a boçalidade eleita

"ANTES DA TRANSFORMAÇÃO DE UM HOMEM OU DE UMA...
spot_imgspot_img

Misoginia e racismo na renúncia em Harvard

Muitos têm sido os desdobramentos da guerra em Gaza, cujos efeitos se estendem para além da catastrófica situação da população palestina. Os EUA têm sido especialmente tensionados pela...

Quanto custa a dignidade humana de vítimas em casos de racismo?

Quanto custa a dignidade de uma pessoa? E se essa pessoa for uma mulher jovem? E se for uma mulher idosa com 85 anos...

O direito das mulheres à literatura

A literatura, para Antonio Candido, é direito inalienável do sujeito, indispensável à humanização. Espaço de desacato, para a escritora argentina María Teresa Andruetto, ela nos questiona,...
-+=