sexta-feira, novembro 26, 2021
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Práticas educacionais: crescimento versus redução da desigualdade social

Introdução:

Este trabalho, que tem como tema, desigualdade social e educação, propõem através de revisão científica analisar a importância das práticas educativas dos docentes. E como essas práticas podem influenciar para a redução ou para o crescimento da desigualdade social.

Sabemos que a Educação no Brasil, desde a chegada dos jesuítas, é uma educação excludente e seletiva, suprimindo culturas e marginalizado aos que não se encaixam em uma cultura eurocêntrica. Essa prática seletiva, desde os primórdios, já evidencia o início da separação de classes em nosso país.

Dando sequência ao histórico de segregação social, a escravidão condenou, de maneira atemporal, as pessoas de pele negra e ou descentes dela, a exclusões e subjugações constantes. Assim, segundo a reportagem do Correio Brasiliense “a cor da pele é um dos principais fatores de desigualdades no país” (28 de dezembro 2020).

Diante desse cenário pensamos como as metodologias e os discursos dos professores (as) têm função primordial nessa dicotomia, crescimento/redução, da desigualdade social.

Seria de grande valia um olhar freiriano, por parte dos docentes, como uma “Educação Libertadora”, e um discurso foucaltiano, observando a “Análise do Discurso”, para que se construa conhecimentos voltados à aquisição de uma nova realidade, com interesses voltados a inclusão social.

Fundamentação Teórica:

Quando falamos em educação idealizamos a definição lexical, onde “Educação é o processo de facilitar o aprendizado ou a aquisição de conhecimento, habilidades valores, crenças e hábitos”, no entanto ela vai além, podendo definir na prática a segregação e ou ascensão intelectual. Segundo Lima e Souza (2020): 

A educação é um dos principais pontos de atenção na elaboração de estratégias para redução de desigualdades. Mas, e quando o sistema educacional do país incentiva disparidades raciais, sociais e locais? O Brasil sofre com esse paradigma e, por mais que os dados revelem um aumento no acesso às escolas, na análise dos últimos anos, as oportunidades e desempenhos entre um extremo e outro se tornam um abismo ainda maior.

Historicamente, sabemos que a soberania educacional, chegou ao Brasil junto com os jesuítas e influenciaram a trajetória metodológica do ensino nos séculos XIX e XX, e se faz presente até os dias atuais. Assevera Paiva (2012, p.137):

Diversas são as raízes que fundamentam as tendências pedagógicas desenvolvidas em nosso país ao longo de sua história. E são estas tendências que, igualmente, lançam as bases para o desenvolvimento do pensamento educacional brasileiro em sua riqueza teórica e diversidade prática. Malgrado a multiplicidades de teorias que influenciaram de uma forma ou de outra a trajetória da educação brasileira nos séculos XIX e XX, com extensão até os dias de hoje, durante os três primeiros séculos da colonização o processo educativo seguiu praticamente inalterado. Rigidamente amparado numa concepção religiosa de mundo, o período forjou uma escola de racionalidade dedutiva, que defendia o ensino das verdades consagradas pelo cânone escolástico… 

A comunidade escravizada, mesmo depois da abolição, encontrou nas metodologias educacionais novas formas de aprisionamento. Dinâmicas comportamentais em consonância com os valores europeus. Assim diz: Almeida e Sanches (2016): 

A constituição imperial de 1824 previu a educação primária gratuita a todos os cidadãos. Essa determinação excluía os escravizados, já de partida, do acesso aos estabelecimentos oficiais de ensino, mas possibilitava que a população negra liberta frequentasse essas instituições (GARCIA, 2007; SILVA; ARAÚJO, 2005). Conforme apontam os estudos de Veiga (2008), a escola era, então, entendida como forma de civilizar os grupos vistos pelas elites como impeditivos da coesão social brasileira: “[…] a raça forte não destrói a fraca pelas armas, esmaga-a pela civilização” (CUNHA, [1902], p. 47). As intenções da educação escolar da época – homogeneizar, civilizar, unificar, adaptar as características morais e culturais da população aos padrões desejados (SISS, 2003) – revelam a que público ela era destinada: pobres, mestiços e negros, “[…] ficando o preconceito de raça disfarçado sob o de classe, com o qual tende a coincidir” (NOGUEIRA, 2007, p. 14). As crianças das famílias ricas, brancas, eram educadas, sobretudo com meios próprios, geralmente com professores particulares e aulas em suas residências. Sobre essa época, um historiador afirma, em livro publicado pela primeira vez em francês, no Rio de Janeiro, em 1889: “As crianças das classes razoavelmente abastadas não vão à escola pública porque seus pais têm, mais ou menos, o preconceito de cor ou porque temem, e com razão, pela moralidade de seus filhos […]”. 

Objetivando uma Educação que reduz a Desigualdade Social, podemos refletir sobre metodologias de ensino que busquem um letramento autêntico, compartilhado, humano e que respeite a cultura e singularidade de cada ser, desvelando a importância de sua história. Considera Barros (2020):

A educação em Paulo Freire é humanizadora, libertadora, criadora, criativa, singular, emancipadora, capaz de modificar o ser humano, ao passo que este se refaz, refazendo seu cotidiano e a realidade a em sua volta. Tudo em mutirão, sempre com seus iguais, num sentido de identidade de classe social. Assim, o foco está no aprender e não no ensinar; no descobrir-se e desvelar o mundo; com uma metodologia participativa. Freire conosco em Pedagogia da Autonomia ”[…] uma das tarefas mais importantes da prática educativo-crítica é proporcionar as condições em que os educandos em suas relações uns com os outros e todos com o professor/ a ensaiam a experiência profunda de assumir-se… como ser social e histórico, como ser pensante, comunicante transformador, criador, realizador de sonhos, capaz de ter raiva porque capaz de amar […]” (FRIRE, 2001, p.46).

O engajamento dos educadores (as) num fazer educacional transformador requer um posicionamento de troca de conhecimento, um discurso de aproximação, de inclusão, de acolhimento aos grupos proscritos. Como diz Fischer (2001):

A teoria do discurso está intimamente ligada à questão da constituição do sujeito social. Se o social é significado, os indivíduos envolvidos no processo de significação também o são e isto resulta em uma consideração fundamental: os sujeitos sociais não são causas, não são origem do discurso, mas são os efeitos do discurso. (Pinto, 1989, p.25).

Metodologia:

Esse trabalho foi elaborado a partir de revisão de artigos, nas bases de dados, Repositório da Produção Científica e Intelectual da UNICAMP, Plataforma Scielo Brasil, Reveduc UFSCAR e Brasil de Fato, no período de 2018 a 2020. As palavras chaves utilizadas foram “Educação” e “Desigualdade Social”. Foram critérios de exclusão artigos publicados antes de 2018. No entanto, citamos um artigo de 2001, por sua relevância ao tema.  Somando todas as bases de dados foram encontrados 201 artigos, após a leitura dos títulos, notamos a repetição nas diferentes bases, e outros não preenchiam os critérios deste estudo. Assim focamos a análise em 11 artigos que após análise comparativa com o tema 05 artigos foram selecionados para essa revisão científica. 

Resultados e Discussão:

O objetivo deste estudo foi apresentar o tema, Desigualdade Social e Educação, e refletir como o fazer educacional pode aumentar ou diminuir a distância dessa desigualdade. Com trabalhos atuais, identificamos traços convergentes que embasaram o questionamento deste trabalho, como as práticas educacionais podem influenciar para a redução ou para o crescimento da desigualdade social. 

 Conclusão:

A Educação é um dos pilares da Desigualdade Social, e pode aumentar ou diminuir esse abismo construído historicamente em nosso país. Os profissionais de educação têm a alternativa de buscar um processo educativo como construir-se, cuidando de si e do outro através de discursos que (re)construam conhecimentos e realidades favoráveis para uma (re)organização social. 

Ainda é muito comum o modelo tradicional de ensino, precisamos de uma reflexão, enquanto profissionais da educação, sobre que metodologias e linguagem podem transformar, significativamente, as relações de desigualdade social no Brasil. 


Referências Bibliográficas:

Artigos na internet: 

ALMEIDA, Marco Antonio de. SANCHEZ, Livia. Os negros na legislação educacional e educação formal no Brasil, Revista Eletrônica de Educação – UFSCar. Disponível em: http://www.reveduc.ufscar.br/index.php/reveduc/article/viewFile/1459/500 Acesso em: 30/07/2021.

BARROS, Ilena Felipe. Paulo Freire: um semeador da esperança e da libertação, Brasil de Fato. Disponível em: https://www.brasildefatorn.com.br/2020/05/04/artigo-paulo-freire-um-semeador-da-esperanca-e-da-libertacao Acesso em: 28/07/2021.

FISCHER, Rosa Maria Bueno. Foucault e a Análise do Discurso em Educação, Scielo Brasil. Disponível em:https://www.scielo.br/j/cp/a/SjLt63Wc6DKkZtYvZtzgg9t/?lang=pt Acesso em: 28/07/2021.

 LIMA, Bruna. SOUZA Carinne. Pandemia Evidencia desigualdade na educação brasileira. Correio Brasiliense. 28 de dez. 2020. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/euestudante/educacao-basica/2020/12/4897221-pandemia-evidenciou-desigualdade-na-educacao-brasileira.html . Acesso em 30/07/2021.

PAIVA, Wilson Alves de. O Legado dos Jesuítas na Educação Brasileira, Scielo Brasil. Disponível em: https://www.scielo.br/j/edur/a/4WccmHjrYWG4fKfDj8L87Gv/?lang=pt Acesso em: 30/07/2021.


¹ Marileia da Rocha Rodrigues é Especialista em Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa e Inglesa. marileiadarocharodrigues@gmail.com

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