Rio esquece Adhemar Ferreira e filha lamenta: “Nem banheiro com nome dele”

Justo no dia em que começaram as provas classificatórias do salto triplo, no Engenhão, a cantora Adyel Silva recebeu um site inglês em que o jornalista Bryan Oliver se mostra revoltado: andando pelo Rio de Janeiro, ele não viu nada que lembrasse o grande Adhemar Ferreira Silva, bicampeão olímpico.

Por Roberto Salim Do Uol

“É como se ele não tivesse existido”, diz o jornalista em seu artigo, cujo título é “Adhemar Ferreira da Silva – a lenda do esporte brasileiro esquecida pelo Rio 2016”.

Adyel se sente ofendida com o descaso dos organizadores.

“Não tem nem banheiro com o nome do meu pai em toda a estrutura olímpica”.

Adhemar Ferreira da Silva foi recordista mundial do salto triplo, campeão pan-americano e campeão olímpico. Brilhou em Helsinque e Melbourne e no museu olímpico australiano é figura de destaque.

“Ele participou de quatro olimpíadas, seria de se esperar que houvesse alguma homenagem a ele durante os Jogos do Rio”.

E nada de rivalidade entre paulistas e cariocas explica o fato, porque Adhemar foi atleta do Vasco da Gama e sua foto ainda ilustra o painel fotográfico das ruínas do Estádio Célio de Barros. Em Campo Grande, a pista de atletismo leva o nome de Adhemar. O estádio está com a pista avariada, mas ainda assim é um belo local para a prática do esporte. Enfim, o paulistano Adhemar era carioca também.

“É como se tivessem apagado toda a história do meu pai”.

E o que ele sentiria se soubesse que nas provas de salto triplo em seu país não teve um brasileiro tentando a classificação?

“Meu pai? Ai meu Deus do céu, acho que ele ficaria triste, sentiria pena do que fizeram com o nosso esporte”.

Adyel acompanha esporte desde que nasceu e ficou surpresa que na disputa classificatória apenas três atletas atingiram um salto acima dos 17 metros: o melhor deles o norte-americano Cristian Taylor, com 17,24 metros.

“O salto triplo estava para o Brasil, assim como a velocidade está para a Jamaica, mas o que fazer?”

A filha de Adhemar sofre ao pensar que o pior ainda está por vir.

“Meu medo é que quando apagarem a luz na cerimônia de encerramento, os dirigentes saiam cortando tudo dos atletas… Acho que já passou da hora do Ministério Público entrar nessa história”.

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