Jovem é “confundido” com bandido e linchado por populares tem atendimento negado por médica

Jovem de 20 anos “confundido” com bandido é linchado por populares, chega a hospital em estado grave e tem atendimento negado por médica

 

Está internado em estado grave no Hospital Geral Clériston Andrade o soldador Jevanilson Rios Santos, 20 anos, vítima de espancamento. O jovem foi barbaramente agredido por populares na noite da última quinta-feira, 13, após ser confundido com um assaltante. A agressão aconteceu no município de São Gonçalo dos Campos (a 108 km de Salvador), quando o jovem acompanhado de um amigo teria ido encontrar uma namorada.

De acordo com familiares, os jovens, que residem no distrito de Humildes, em Feira de Santana, teriam ido ao povoado e sido abordados por várias pessoas que acreditavam que fossem assaltantes. “O amigo conseguiu fugir e pedir ajuda, mas o meu filho apanhou bastante”, contou Zenilda Rios Santos, mãe do soldador.

 

Policiais militares que faziam ronda pelo povoado foram acionados e encontraram o jovem desacordado, levando-o para o Hospital Municipal de São Gonçalo dos Campos.

A soldado Moreira, policial que atendeu a ocorrência, informou que os jovens não possuem ficha criminal e a motocicleta utilizada estava em nome de um deles.

A delegada Cristiane Oliveira informou que, até o momento, não há nenhum fato que comprove o envolvimento do jovem em delitos, mas que irá investigar o caso. “A princípio, tudo indica que eles foram confundidos, mas iremos investigar todas as informações e tentar identificar os autores do espancamento”, informou.

Confusão

Mas a família de Jevanilson Rios Santos passou por outro problema. Na madrugada de sexta-feira ele foi transferido em uma ambulância da cidade de São Gonçalo dos Campos para o HGCA mas, chegando à unidade, segundo os familiares, a médica de plantão, identificada pelo prenome de Cláudia, se recusou a receber o paciente. Ele passou cerca de 40 minutos na porta do hospital para poder ter atendimento.

“A enfermeira entrou e disse que não iria receber, que voltasse para a unidade de onde veio. Fui lá e conversei com ela, que me disse várias vezes que não podia fazer nada, que o problema era do médico que fez o primeiro atendimento. Só depois que fizemos um barulho na porta, é que o meu sobrinho foi colocado para dentro”, disse o tio do soldador, Raimundo Borges Rios.

Zenilda Rios, mãe do jovem, contou que a médica teria se recusado a prestar o atendimento alegando que o rapaz era bandido. “Ela disse que quem cuida de bandido é a delegacia, mas meu filho não é bandido, é trabalhador e nunca pisou em uma delegacia, e mesmo que fosse ela é médica e teria que dar o atendimento pois ela recebe é para isto”, desabafou, bastante emocionada.

A confusão foi parar na delegacia, tanto a médica como os familiares prestaram queixa no Complexo Policial Investigador Bandeira. O teor das queixas não foi informado.

 

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Fonte: Pragmatismo Político

 

 

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