Morte de senegalês após ação da PM em SP completa um mês com investigação lenta e falta de acesso a câmeras corporais

Vídeo obtido pelo Brasil de Fato mostra que policiais entraram com os aparelhos no edifício onde Talla caiu do 6º andar

Um mês após a morte do senegalês Serigne Mourtalla Mbaye, conhecido como Talla, que caiu do 6º andar após ação policial no prédio em que morava na Rua Guaianases, centro de São Paulo, as Câmeras Operacionais Portáteis (COPs) usadas pelos agentes no dia do ocorrido ainda não foram disponibilizadas à Justiça.

Pedidas por familiares e amigos, as filmagens da invasão ao apartamento em que Talla estava por policiais militares poderiam alterar a tipificação de  “morte acidental” e “receptação”, como definiu o delegado da 2° DP, no bairro Bom Retiro, no relatório final do inquérito policial sobre o caso, publicado em 27 de abril.

“Esse problema é fácil de resolver. Onde fica a câmara corporal? Aqui [aponta para o peito]. Igual a esse microfone. Então todo ato que eu vou praticar, essa câmara já capta facilmente. A gente não vai se calar, a gente não vai ficar tranquilo até que a gente consiga realmente ter acesso a essas câmeras”, explica o ativista social de Guiné-Bissau e amigo de Talla, Braima Mane, que jogava futebol com o senegalês.

Câmeras de segurança do edifício às quais o Brasil de Fato teve acesso comprovam que os dois policiais militares, às 18h42 do dia 23 de abril, portavam câmeras corporais ao passar direto pela portaria do edifício Japurá e entrar sem mandado de busca e apreensão para subir até o apartamento 609, onde o senegalês estava. Há um breve diálogo entre um deles e duas moradoras, mas a dupla continua tranquilamente em direção ao elevador.

A partir desse momento não se sabe o que ocorreu no local. Momentos depois, Talla Mbaye foi encontrado morto caído no solo da parte traseira do edifício, deixando esposa, duas crianças, uma família no Senegal e muitos amigos em São Paulo.

“Era um líder nato. Ele organizava a galera senegalesa pra jogar bola todos os domingos. E foi ali que eu conheci o Talla. Um cara totalmente de bem, ajudava a galera desde os primórdios, desde o Senegal e de todas as travessias. Era um cara que fazia trabalho social, que organizava os senegaleses para fazer ações com moradores em situação de rua”, completa Braima.

Investigação começou três semanas após a morte de Talla

Segundo depoimento dos policiais no Boletim de Ocorrência (BO) emitido em 24 de abril, a entrada no edifício em que Talla morava sem mandado na noite de 23 de abril era para apurar um suposto crime de receptação. No local, a polícia diz ter encontrado 44 celulares e outros aparelhos eletrônicos.

No BO, o delegado policial afirmou não ter visto indício de “autoria em desfavor dos policiais militares, embora, estranhamente, em período noturno e sem mandado de busca e apreensão, tenham adentrado ao local”.

Foram estas circunstâncias que motivaram a autoridade policial a pontuar no BO ser “imprescindível que eventuais excessos sejam analisados pelo Poder Judiciário”.

Ainda que tenha sido acionado para investigar a morte de Talla no dia  27 de abril, o Ministério Público São Paulo (MP-SP) só requisitou o pedido de reabertura de inquérito policial no dia 15 de maio, três semanas depois da morte do senegalês. Agora, o inquérito sobre o caso está a cargo do 3º Distrito Policial, em Campos Elíseos.

PMs portavam câmeras corporais ao adentrar o Edifício Japurá / Divulgação

No pedido, o promotor Matheus Jacob Fialdini, da 3ª Promotoria De Justiça Criminal da Capital, solicita a “imediata juntada ao IP das câmeras corporais dos policiais envolvidos”.

Questionado pelo Brasil de Fato sobre o acesso a imagens das corporais, o MP disse que ainda aguarda o envio por parte da polícia. A SSP-SP não quis enviar as imagens à reportagem. Em nota, diz que as imagens já “integram o conjunto de provas dos inquéritos e estão à disposição do Ministério Público e Poder Judiciário”. O Ministério Público nega.

A Ouvidoria das Polícias em São Paulo também informou ao Brasil de Fato que solicitou, via ofício, as imagens corporais dos agentes no dia da morte do senegalês, mas que até agora não obteve retorno.

A nota enviada pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo não comenta sobre a entrada dos policiais sem mandado no edifício, mas informa que “a partir da análise das Câmeras Operacionais Portáteis (COPs)”, é verificado que “os moradores autorizaram a entrada dos policiais no imóvel”.

Em depoimento, o tenente Fernando Adriano Lopes e o policial Felipe dos Reis contaram que encontraram três homens “em atitude suspeita” na frente do prédio. Apesar de não ter encontrado nada com o trio, eles disseram que um deles teria indicado o apartamentos 609 do Japurá como um local de comércio ilegal de celulares. E por esse motivo, mesmo sem mandado, os PMs entraram no prédio.

Versão dos policiais sobre a morte é contestada por moradores

No BO, consta que os policiais só entraram no apartamento pois observaram por uma fresta que havia alguém dentro do imóvel. Ao chamar e não serem atendidos, teriam entrado e lá, supostamente, encontrado os celulares, o que justificou a prisão por receptação de Bara Ndiaye, que estava dentro do quarto junto com Talla. Ndiaye foi solto dias depois e está se apresentando à Justiça.

No prédio, o Brasil de Fato constatou que algumas câmeras de segurança não funcionam. As duas do sexto andar estão entre elas. Ao subir pelo elevador nota-se que uma delas é frontal à entrada do apartamento em que Talla estava. Ao olhar para a porta, com a fresta descrita por um dos policiais, não se pode enxergar o que acontece no interior do imóvel. Não é possível ver a sala e o quarto. Tem-se uma visão restrita a uma parte da cozinha.

Na versão dos policiais, quando eles entraram no imóvel, Talla tentava acessar o andar inferior por meio da marquise do apartamento. Segundo os PMs, eles teriam pedido que o senegalês parasse, mas ele continuou, acabou se desequilibrando e caiu.

Janela do apartamento 609, onde Talla Mbaye caiu de uma altura de 20 metros / Pedro Stropasolas

A queda livre tem cerca de 20 metros. Em frente, há dois prédios que, segundo um morador, possuem câmeras de segurança viradas para a região onde Talla foi encontrado e que poderiam auxiliar na investigação: o edifício do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região e o Edifício Agudos, ambos com a entrada na avenida Rio Branco.

Assim como a reportagem, o advogado Roberto Tardelli esteve no edifício e no apartamento após o ocorrido, conversando com moradores e fotografando o local. Ele também questiona a versão de que havia uma “fresta” na porta que justificasse a entrada dos agentes.

Tardelli tem duas hipóteses para a morte do senegalês. “Ele ter se apavorado com a entrada abrupta, feroz, violenta, opressora, dos policiais. Ficou com medo de morrer,  porque é o que você sente quando você vê as armas apontadas pra você, e ter tentado uma  fuga desesperada para o andar de baixo, não ter conseguido, e acabar caindo no solo. Ou ele ter sido jogado. O que não aconteceu com certeza é uma queda acidental”, explica.

“É preciso que se apure o  seguinte. Ainda que ele tenha saltado, ele não saltou porque ele quis. Ele não tomou uma decisão livre, autônoma, deliberada. Ele só pulou porque a casa dele foi invadida sem mandado. É muito importante que a gente nunca perca isso de vista. O Talla foi vítima, sim, do abuso policial. Se não houvesse ocorrido o abuso policial, ele estaria vivo até agora”, completa.

Posição da porta de entrada do apartamento não corrobora com versão da PM de ter visto Talla por uma “fresta” / Pedro Stropasolas

A senegalesa Soda Diop, conhecida como Mama, há quase duas décadas ajuda os imigrantes recém-chegados a São Paulo a se estabelecerem e encontrar moradia. Dona de uma loja conceituada de roupas e tecidos na praça da República, ela também acredita que a ilegalidade da ação policial contribuiu para a morte do jovem de 38 anos.

“Eles falam que o policial jogou ele. Eu não posso falar isso, porque eu não estava lá. Mas se o policial não estivesse lá, ele não teria morrido”, coloca.

Foi a pedido de Mama que o advogado Roberto Tardelli passou a auxiliar no caso. Tardelli questiona a justificativa da PM de que a entrada no prédio era para apurar um suposto crime de receptação.

“Não havia mandado nenhum. Até porque você não tem um mandado para entrar na casa de ninguém a noite. Por que eles entraram? Porque receberam uma informação de que ali era o lugar de receptação? Quem são eles pra fazer essa diligência? Essa diligência não é da Polícia Militar. Essa diligência investigativa é da Polícia Civil. É indesculpável, inexplicável, inaceitável a atuação da Polícia Militar nesse dia. Eles querem de alguma forma mascarar esse abuso”, comenta Tardelli.

“Só de invadir e violar a nossa casa você já tirou a nossa vida independentemente de qualquer coisa porque a nossa casa é o nosso porto seguro, é onde a gente se sente mais seguro. Alguém arrebentar a porta da sua casa é totalmente absurdo”, complementa o guineense Braima Mane.

Parte traseira do Edifício Japurá pode ser vista por câmeras em prédios vizinhos, entre eles o do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região / Pedro Stropasolas

Entradas sem mandado continuam mesmo após a morte

Na portaria do edifício Japurá, é possível ver muitas famílias de imigrantes e brasileiros vindo e voltando de seus serviços, com uniformes, sacolas e crachás. Ao lado, os senegaleses conversam, cortam o cabelo em seus salões, os restaurantes vendem comidas típicas e as crianças correm na calçada vigiadas pelos pais. Quase todos os estabelecimentos são administrados por senegaleses. Em uma das esquinas com a Rua Aurora, de noite ou dia, uma viatura da polícia estaciona.

“A gente não tá falando de um lugar que é de tiroteio, é um lugar de comércio legal. Guaianases tem lugares de crianças, de mulheres, de homens, de seres humanos. Então, no Brasil tem lugares muito mais violentos, onde a polícia não fica vigiando 24 horas. Essa vigilância está ali para proteger? É o que a gente precisa. Mas a polícia está ali para oprimir. Então, essa é a nossa preocupação. É isso que a gente está pedindo às nossas autoridades, por exemplo, de tomar noção e consciência do que as polícias fazem lá e como a polícia está operando contra a população negra”, opina a atriz e ativista Mariama Bah, que nasceu em Gâmbia e cuja família se encontra na região de Casamance, no sul do Senegal.

Rua Guianases é marcada por estabelecimentos familiares administrados por senegaleses / Pedro Stropasolas

Um morador que não quis se identificar conta que as entradas de PMs no Edifício Japurá sem mandado não são incomuns e também não pararam após a morte de Talla. O último episódio aconteceu nesta segunda (20). Segundo relatos, os policiais entraram no edifício para apurar um copo de água que supostamente teria sido lançado na viatura que fazia a ronda na Rua Guaianases.

Esse morador contou ao Brasil de Fato que a síndica tentou impedir a entrada dos agentes e foi insultada. Muitos denunciam que os policiais caminham entre os andares aleatoriamente, observando pelas pequenas janelas acima das portas o que acontece nos apartamentos.

“Eles ficam falando que no prédio aqui só mora bandido e ladrão, mas aqui mora gente que trabalha. E eles estão vindo em horário, tipo 10 horas da noite, não sei se isso pode”, comenta o morador.

“Aqui tem proprietários, tem os idosos, tem crianças, tem tudo, e eles sobem sem mandado, eles falam que o mandado é eles. A senhora ontem só estava querendo impedir que eles subissem sem o mandado. Eles foram subindo e olhando para os apartamentos dos outros. Se foi na frente, então eles tinham que ir nos apartamentos da frente, eles foram nos da frente e foram nos fundos também”, completa.

Violência policia na Rua Guaianases

Paco é dono da loja Paco Street Wear, de roupas e tênis de basquete, situada em frente ao Japurá. No dia da morte de Talla, ele foi agredido por reagir a ação violenta da polícia, que após descer do prédio, dispersou toda a população local com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

O comerciante recebeu um golpe de escudo na testa. ““Eles foram muito covardes com nós”, lamenta.

Além de se revoltarem contra a morte do amigo, os senegaleses protestavam contra a demora para o recolhimento de Talla. Apesar do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ter atestado a morte, os moradores relatam que o corpo só foi recolhido pelo Instituto Médico Legal (IML) cinco horas após sua queda.

“Me levaram para delegacia e depois me soltaram. Tinha uma mãe com três crianças falando que uma das filhas, de três meses, não respirava mais, e eles continuaram jogando bombas”, completa Paco.

Paco mostra as marcas da violência policial no rosto: ele foi atingido por um escudo da PM / Pedro Stropasolas

Um outro morador do Edifício Japurá relembra o cenário de desespero vivenciado pelas famílias do local. “Tinha muita gente passando mal dentro do prédio. Eu fui para o chuveiro, tomar bastante água, para eu respirar, que eu estava perdendo a respiração. Eles jogaram bomba na porta, mas como a porta estava fechada, entrou pelo buraco do portão. Era muita bomba, para todo lado, parecia que o mundo estava se acabando”, relembra o morador, lamentando o desfecho da ação policial. “Talla era uma pessoa maravilhosa, só vivia dando risada. Era muito carinhoso com a gente”, diz.

A indignação com a morte de Talla e a repressão policial na Rua Guaianases levou a comunidade senegalesa e apoiadores a se manifestarem no dia seguinte ao ocorrido, em 25 de abril. Juntaram-se outras comunidades de países africanos. Em frente à sede da Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), no centro de São Paulo, pediram justiça e investigação da morte, com gritos de “a polícia matou ele”.

Foi o protesto que estimulou o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania a solicitar investigação à SSP-SP.

“Segundo registros da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos do MDHC, as razões que levaram Mbaye a óbito são consideradas suspeitas. Ainda de acordo com as denúncias, a ação policial teria ocorrido sem mandado judicial de busca e apreensão, o que resultou em questionamentos sobre o uso da força pelos agentes de segurança, que utilizaram balas de borracha e gás lacrimogêneo contra os moradores”, escreveu na época o ministro Sílvio de Almeida em uma rede social.

Senegaleses marcharam até o prédio da SSP-SP aos gritos de “A polícia matou ele” / Lucas Martins/MÍDIA NINJA

Pai de dois filhos e líder comunitário

Serigne Mourtalla Mbaye, de 38 anos, morreu no mesmo dia em que o filho Baye Mbaye completou três anos. O senegalês veio para o país trabalhar. Vendia roupas. Primeiro, morou em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, e depois se mudou para São Paulo. Era Talla quem sustentava os dois filhos, que moram nos Estados Unidos com a mãe.

“Vai ficar muito difícil, são crianças, não têm 10 anos. Ele estava aqui para ajudar eles, tanto lá, como na África. A mãe dele só tem um filho, e é Talla. Todas as mães estão tristes. É uma morte muito brutal. Todo mundo chorou, o mundo inteiro. Até lá nos Estados Unidos fizeram marcha. Na África a mesma coisa, todos choraram”, lamenta Mama.

O ator, músico e estilista Kara Modou conheceu Talla ainda no Senegal, em 2012. Ele descreve que uma coisa natural, não só para Talla, mas para todos os africanos que estão aqui no Brasil, é o envio de dinheiro para famílias que estão fora do país.

“Talla, ele não só sustentava os próprios filhos, mas sustentava a comunidade onde morava no Senegal. Cada real que ele ganhava, antes de ele comer alguma coisa, ele já  pensava no que mandar para alimentar as pessoas. Não só uma, mas muitas pessoas. Só depois pensava nele, no que ia investir, o que ele ia comer. Então, isso sempre foi a rotina da vida do Talla”, explica Modou.

Talla e Modou deixaram o país da costa oeste africana juntos, mas só se reencontraram anos depois, já no Equador. A travessia foi longa e desafiadora até conseguirem chegar ao Acre, por onde entraram no Brasil.

Talla Mbaye era pai de dois filhos, que viviam nos EUA e dependiam do envio de dinheiro mensal para o sustento / Divulgação

“Passamos por várias fronteiras. Eu, ele e mais outras pessoas. Foi um trajeto muito longo, foram seis meses para chegar aqui no Brasil. A gente passou num caminho que era muito complicado, passando nas fronteiras, encontrando pessoas que faziam tráfico humano, tráfico de drogas, várias outras coisas. E a gente viu como ele era uma pessoa muito solidária, muito honesta, tranquila, e que liderava as pessoas para passar por esses caminhos”, relembra Modou.

Solidariedade e racismo

Talla costumava visita a Galeria Lafaieti, na República, para ver os amigos, também vendedores. Um deles, que preferiu não se identificar, lembra de Talla com saudade. “Foi muito injusto, era uma pessoa muito boa”, lamenta.

“Ele sempre vinha aqui assistir jogo comigo. No dia que ele morreu, ele me mandou mensagem dizendo que ia vir aqui, eu não acreditei. Eu estou muito triste, é muito difícil”, completa.

A matriarca dos senegaleses em São Paulo também soube da morte com surpresa. Ela lembra de Talla no mesmo dia de sua morte distribuindo alimentos à população vulnerável. “Esse dia ele veio aqui, trouxe pão, e muito iogurte na garrafa, e deixou para os moradores de rua”, relembra Mama.

“Todo mundo chorou, o mundo inteiro”, lamenta Soda Diop, a matriarca dos senegaleses em São Paulo / Pedro Stropasolas

Os amigos ouvidos pela reportagem, sem exceção, comentam que a solidariedade era uma prática recorrente na vida do imigrante, quem também frequentava a Mesquita do Campos Elíseos todas as sextas-feiras, para entregar alimentos.

Modou fala sobre o que motivou ele e centenas de outros imigrantes africanos a saírem às ruas de São Paulo para protestar contra a morte de Talla.

“Justiça. Justiça para todos, não só para Talla. Infelizmente mesmo no país mais africano fora da África, todos os dias a gente sofre e vive esse preconceito, é um país muito racista. Por isso o motivo de aproveitar da situação do Talla para se manifestar, falar do que a gente está  sentindo, o que a gente está sempre sentindo dentro do nosso coração, que é lutar para se defender. O povo preto está sempre lutando, o povo preto está sempre tendo que mostrar que é uma pessoa boa. Quem sofre mais é o povo preto. E a gente está cansado de sofrer”, lamenta o músico.

Equipe de futebol de imigrantes senegaleses em São Paulo homenageou Talla Mbaye em partida da várzea paulistana / Pedro Stropasolas

O comerciante Paco também vincula a morte de Talla ao racismo sofrido pelos imigrantes africanos em São Paulo, principalmente pelos policiais militares.

“É racismo mesmo, eles tratam igual os meus amigos que trabalham no Brás. Eles falam ‘volta pra sua terra’. Mas por quê? Tem brasileiros no Senegal também, e a gente não manda eles voltarem. Tem estrangeiro em todos os lugares”, lamenta.

Mama finaliza corroborando com a denúncia dos conterrâneos. “Se alguém falar para mim volta para seu país, eu falo cadê o seu país. Se não fosse meu bizavô seu pais nem existia”, conta.

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