Mortes provocadas por PMs de folga aumentam 50% no Estado de SP

Ao mesmo tempo em que a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo comemora a redução de 39% no número de mortos por policiais militares em serviço em 2013, as mortes provocadas por PMs de folga cresceram 50%.

De janeiro a novembro do ano passado, 218 pessoas foram mortas por policiais fora do horário de serviço, contra 145 nesses meses de 2012.

Nesse último caso, a comparação foi feita sem o mês de dezembro porque só os dados até novembro foram publicados no “Diário Oficial”.

As mortes, sejam elas praticadas em serviço ou durante a folga, incluem desde homicídios dolosos (com intenção) a reações a assaltos.

Já as mortes causadas por PMs em serviço caíram 39% -de 546 em 2012 para 335 em 2013 (nesse caso, os dados de dezembro foram disponibilizados). Os números foram revelados ontem pela Folha.

Nos últimos dez anos, os PMs de folga cometeram, em média, 112 mortes por ano (de janeiro a novembro). Esse número é quase a metade das 218 mortes ocorridas em 2013.

Desde 2003, os policiais de folga mataram pelo menos 1.227 pessoas. Em serviço, foram 4.476 mortes.

Considerando o total de ocorrências, em média, uma pessoa foi morta a cada 15 horas por policiais no Estado.

BICOS

Além disso, no ano passado, foi a primeira vez que, em um mês, policiais mataram mais em folga do que em serviço. Isso ocorreu em março, maio e outubro.

“É possível que [o policial] não mate mais quando está trabalhando, mas resolva o que considera um problema na folga”, disse o especialista em segurança pública Guaracy Mingardi.

“Pode ter execução aí também, mas seria preciso analisar as circunstâncias”, diz.

Coordenador do Observatório de Segurança Pública da Unesp, o professor Luís Antonio Francisco de Souza diz que um dos motivos do aumento pode ser a prática de “bicos” pelos policiais.

“Sem contar que a letalidade também está relacionada a rixas e acertos de contas entre policiais e criminosos, o que é sempre muito preocupante”, diz o especialista.

Também em 11 meses do ano passado, 16 policiais militares morreram em serviço (não necessariamente em confronto) e 48 em folga, segundo dados publicados no “Diário Oficial”.

OUTRO LADO

A Secretaria da Segurança Pública diz que tem trabalhado constantemente com a PM na capacitação de policiais e na reformulação de procedimentos. Segundo a pasta, todos realizam treinamento que “visa à proteção da vida do policial, de eventuais vítimas e do infrator” em uma ação.

A secretaria afirma que há controle diário de disparos.

“Os PMs envolvidos em ocorrências com mortes de colegas, vítimas ou mesmo suspeitos passam por avaliação psicológica e, se necessário, tratamento”, diz.

Ainda segundo a pasta, as mortes com “excludente de ilicitude” (como legítima defesa) não devem ser comparadas aos casos de “mortes em decorrência de intervenção policial” em serviço.

 

 

Fonte: UOL

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