Nova ferramenta fortalece a valorização das ONGs no Brasil

Sociedade Viva quer destacar a importância e o impacto do trabalho das entidades para toda população

Já faz muito tempo que as entidades sem fins lucrativos vêm ganhando relevância entre os protagonistas que conduzem o destino do nosso país. Entretanto, foi a partir da pandemia do Covid-19, que o terceiro setor mostrou exatamente qual é o seu papel na sociedade, que para muitos era simplesmente o de tentar cobrir as lacunas deixadas pelo governo no campo social e ambiental.

No início de 2020, as diversas esferas do governo batiam cabeça sobre qual a resposta mais adequada à inevitável pandemia que atravessava o Oceano Atlântico em avião a jato. A iniciativa privada se desesperava ao imaginar seu exército de trabalhadores presos em casa. E as organizações da sociedade civil, mais conhecidas como ONGs, tomaram a iniciativa e começaram a agir. E o resultado das iniciativas veio rápido, certeiro, e, para muitos, surpreendente.

Isso ocorreu porque as organizações da sociedade civil estão sempre conectadas às urgências e necessidades de suas causas e comunidades. Elas estão presentes em todos os municípios do país, conhecem seus problemas, sabem dialogar com seus beneficiários e, sobretudo, têm capilaridade para chegar aonde nenhuma outra instituição atinge.

Além disso, são elas que criam as tecnologias sociais para enfrentar os desafios mais complexos. Estão cotidianamente testando novas soluções, errando, adaptando e testando novamente, até que a fórmula funcione e possa ser aplicada por uma empresa ou pelo governo.

Mas para que essa máquina opere, ela precisa de doações. E precisa muito das doações dos indivíduos. Claro que existem as empresas que doam, os institutos e fundações filantrópicos também. Porém, a maior fonte de doações, no Brasil, são os indivíduos.

A última edição da Pesquisa Doação Brasil, realizada pelo IDIS, divulgada em agosto passado, estimou que o montante total doado pelas pessoas no Brasil em 2022 foi de R$ 12,8 bilhões. Enquanto isso, o mais recente Censo Gife (lançado em dezembro de 2021) apurou que o valor doado pelas grandes empresas e entidades filantrópicas está na casa dos R$ 5 bilhões. Os dados do Censo Gife refletem apenas o resultado do grupo mais robusto e atuante de instituições doadoras. Mas ainda que dobrássemos esse montante para projetar um volume que cobrisse todo o universo de empresas e entidades filantrópicas, ele ainda estaria aquém do total doado pelos indivíduos.

Porém, para que o número de cidadãos doadores se mantenha e cresça existe uma barreira: eles devem compreender a importância e os resultados produzidos pelas organizações socioambientais. Eles devem enxergar que, ao doar, não estão somente ajudando o próximo (o que não é pouco), mas estão contribuindo para melhorar a sociedade na qual eles mesmos estão inseridos. Que os benefícios do trabalho das chamadas ONGs estão espalhados por toda parte.

São as ONGs que lutam para que os alimentos sejam mais saudáveis, que indiquem em seus rótulos tudo o que contêm. São as ONGs que batalham para que as cidades tenham mais áreas verdes e espaços comuns. São as ONGs que defendem os direitos das crianças, exigindo escolas para todas. E essa lista poderia continuar indefinidamente.

Mas as sociedades estão cada vez mais complexas e o trabalho das organizações da sociedade civil também se tornou mais complexo e abrangente nos últimos anos. Não é fácil perceber e entender como atuam essas instituições. E o que não fica claro, gera desconfiança. E a desconfiança é inimiga da doação.

Para superar essa dificuldade de compreensão, nasceu a Sociedade Viva. Uma iniciativa que cria materiais de comunicação e campanhas que podem ser utilizadas por qualquer entidade do terceiro setor para explicar sua atuação e divulgar seus resultados.

A Sociedade Viva quer contribuir para que as pessoas percebam a presença das organizações do terceiro setor e sintam o impacto de seu trabalho em suas próprias vidas e na vida de todos os que os cercam. Porque a Sociedade Viva tem certeza que, se a população compreender o poder de transformação da sociedade civil organizada, seguramente vai querer apoiar. Porque, afinal de contas, sempre tem uma ONG trabalhando por você… é só prestar atenção.

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