Denise Correia: “Corre sangue bom na veia dessa nêga”

A cantora e atriz paranaense Denize Correia conta sobre ‘suas carreiras’: em Direito, cantando e atuando

Por Fabiana Guia, do Correio Nagô 

“Na veia da nêga corre amor / na veia da nêga corre o som / a veia da nêga é forte / na veia da nêga corre sangue bom“. Essa estrofe da música do compositor Jairzinho tem um pouco do que cabe na veia da atriz e cantora Denize Correia. Nessa veia cabe também o Direito, a música, o teatro, telenovela e muito mais do que foi possível perceber na entrevista que a atriz paranaense, que fez carreira em Salvador, concedeu ao Portal Correio Nagô.

Filha da cidade de Alvorada do Sul, Região Metropolitana de Londrina, no Paraná, de família humilde, Denize chegou em Salvador ainda adolescente, em busca de novas oportunidades. Aqui se formou em Direito e embarcou no sonho: fazer teatro em uma grande companhia. E assim aconteceu. Denize foi aluna da produtora e diretora Chica Carelli e participou de inúmeras montagens da Arte Sintonia, companhia teatral criada em 1998 na cidade, na qual atou em peças e musicais dirigidos por Antônio Marques. “Eu cantava na minha cidade, mas não era um lugar forte culturalmente. Quando cheguei em Salvador comecei no teatro que sempre esteve aliado à música”, explica Denize, completando a empolgação dos diretores que pediam para que cantasse nos espetáculos. “ É uma habilidade que expande [cantar e atuar]. Gosto de fazer as duas coisas, e conciliava, cantar, atuar e estudar Direito”, disse. A graduação, ela  concluiu em 1988, exerceu um pouco na vara Cívil e até Criminal mas não era a sua ‘praia’, mesmo assumindo ter vocação. “Tinha vocação para advogar mas não gostava. A gente tem vocação para a área que quisermos mas nem sempre gostamos”, analisa rindo alto a atriz e cantora.

Desde então coleciona peças como ‘O Sumiço da Santa’ (2012), versão para o teatro das obra original do escritor baiano Jorge Amado, dirigida por Fernando Guerreiro, além de ‘Casulo’ (2013) e ‘Kanzuá, Nossa Casa‘ (2015), dirigidas respectivamente por Ângelo Flávio e Fernanda Júlia, dois expoentes da nova geração de diretores teatrais baianos. Denise também participou de infantis montagens como ‘H2 Ópera’ (2009) e musicais como ‘Se Acaso você Chegasse’ (2011), quando viveu a cantora Elza Soares, no texto inspirado na cantora carioca. Texto de Elísio Lopes Jr. e direção geral de Antônio Marques e, com quem também trabalhou na peça ‘Pedaço de Mim’ (2002), inspirado no universo musical de Chico Buarque de Hollanda.

DeniseCorreia

Nos primeiros capítulos de Velho Chico, Denise Correia foi a empregada de Afrânio (Rodrigo Santoro).

Seu trabalho mais recente e primeiro em telenovelas foi a participação nos primeiros capítulos de Velho Chico, produção ‘das nove’ da  Rede Globo. Atividade que demandou a atriz meses, de dezembro a março, viver na ponte aérea Salvador – Rio de Janeiro. Tendo que ficar dias longe da família, esposo e do filho de nove anos. “Foi uma experiência maravilhosa. No início das gravações os atores ensaiavam em galpões, nas cidades de Cachoeira e São Francisco do Conde, no Recôncavo Baiano, e  Juazeiro [Norte do estado], em uma imersão mais teatral”, conta, elogiando o trabalho do diretor artístico Luiz Fernando Carvalho.

Na veia da nêga, a banda

A música é do compositor Jairzinho, que fez para sua irmã Luciana Melo, mas parece que encaixou no repertório da banda que ainda estava começando. Isso no ano de 2007. e acabou se tornando o nome do grupo, que vez ou outra, canta em casamentos e formaturas, além de realizar shows com parceiros. “Fazer música nesse momento em Salvador está complicado. Tocamos eu e meu marido [o bateirista Levi Drums] e alguns parceiros que estão com mais frequência. Mas infelizmente não tenho uma banda para fazer um trabalho mais autoral, sabe?!’, lamenta Denize.

Com essa história no teatro e na música não tem como negar que o ritmo bate forte na veia da nêga.

Texto de Fabiana Guia da redação do Correio Nagô

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