quarta-feira, julho 8, 2020

    Sueli Carneiro

    Foto: Marcus Steinmayer

    CARE

    por Sueli Carneiro Cuidado, carinho, é o que a palavra significa em inglês e é o que a instituição que carrega esse nome oferece ao redor do mundo desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando assumiu a tarefa de aliviar a fome e a pobreza no continente europeu devastado por aquela hecatombe. São inúmeros os relatos de sobreviventes sobre o significado para suas vidas daqueles imensos pacotes marcados com a inscrição ‘‘care''. Para muitos representava a diferença entre viver ou morrer. Enfim, ela chega ao Brasil. Talvez, na decisão da criação da Care Brasil esteja presente a compreensão de que a pobreza e as desigualdades sociais adquirem aqui padrões semelhantes aos encontrados nas inúmeras situações de guerra enfrentados pela instituição no mundo: Bósnia, Afeganistão, Angola, para citar alguns. Originalmente uma iniciativa norte-americana, a Care é hoje de âmbito internacional que congrega onze países mantenedores e desenvolve programas de desenvolvimento...

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    Foto: Marcus Steinmayer

    Brasil, EUA e África do Sul, por Sueli Carneiro

    Aconteceu de 29 de maio a 1º de junho deste ano, na Cidade do Cabo, África do Sul, o lançamento do relatório ‘‘Para Além do Racismo: Abraçando um Futuro Interdependente'', que contou em sua abertura com a presença de Nelson Mandela. Esse relatório é uma das várias publicações produzidas pela Iniciativa Comparada de Relações Humanas, um projeto da Southern Education Foundation sob a coordenação da dra. Lynn Huntley, que consistiu num estudo comparativo que, durante quatro anos, investigou as relações raciais no Brasil, EUA e África do Sul. O projeto foi desenvolvido em parceria com instituições brasileiras e sul-africanas e enlaçou nessa tarefa pesquisadores, ativistas, personalidades, políticos e membros de governo, negros e brancos dos três países. A iniciativa partiu das seguintes constatações a respeito de Brasil, EUA e África do Sul: ‘‘Todos possuem um governo democrático; todos são poderosos regionalmente e em termos globais e possuem recursos humanos e...

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    Lula Marques/ Folhapress

    Bené, por Sueli Carneiro

    Combinar os critérios de qualificação técnica com recorte de gênero e de raça é um risco e um desafio que, até o momento, apenas essa mulher, negra e ex-favelada, se dispõe a enfrentar. Coragem típica de quem teve que reescrever com dor e lágrimas o próprio destino. Mulher, negra, ex-favelada assume pela primeira vez o governo do Rio de Janeiro. Essa foi a tônica das manchetes sobre a ascensão de Benedita da Silva ao governo do Rio. As ênfases na condição de raça, gênero e de classe da governadora é, por si só, exemplar do ineditismo de que o fato se reveste. Para Millôr Fernandes, é preciso acabar com essa demagogia porque a favela do Chapéu Mangueira é favela de grã-fino, o slogan black is beautiful já superou a identificação entre negro e pobre e, a não ser como piada, ele nunca ouviu alguém ser contra mulher. Poderia e deveria...

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    “Aquelas negas” por Sueli Carneiro

    Creio que das coisas que mais impressionam turistas brasileiros ao chegar em Havana, são as semelhanças étnicas e raciais do povo cubano com o brasileiro - negros, brancos e mestiços de vários cruzamentos - e as semelhanças geográficas com o nosso litoral. Alguns recortes de praia, provocavam em mim segundos de confusão mental: estou em Havana ou em Salvador? Um povo como nós, aberto e hospitaleiro e, sobretudo, orgulhoso e bravo diante às dificuldades que o país se encontra por tantos anos de embargo econômico. A despeito dessas condições adversas, os cubanos, naquilo em que só dependem deles, conquistaram excelência, em vários campos, em especial nos esportes. O suficiente para frustar muitas expectativas de medalhas de ouro de outros países, como em nós brasileiros. Então, no auge da euforia por ter derrotado a seleção de volei da Alemanha, a jogadora Virna, da seleção brasileira, disse às câmaras de televisão, "Agora...

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    Anistia já! por Sueli Carneiro

    Perdi o bonde das malas milionárias, dos cuecões de ouro, das quedas de cúpulas partidárias, da dança das cadeiras ministeriais e das novas celebridades e seus depoimentos nas comissões de inquérito. Então, vou ficar no fato mais recente que, afinal, conecta-se com todos o demais, nos quais se enredam as novas e velhas hegemonias. Falo da Daslu. O evento me lembrou a entrevista de Chico Buarque de Holanda (Folha de S. Paulo, dezembro de 2004) na qual ele descreve a nova feição das elites nacionais envolta segundo ele por toda essa indústria da glamourização, de quem pode, de quem ostenta, de quem torra dinheiro - enfim, ser reacionário se tornou de bom-tom. Numa entrevista à revista Isto É, a escritora Lolita Pille, questionada sobre o sucesso de seu livro Hell, disse: "O que talvez impressione as pessoas são as semelhanças das elites na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil"....

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    Amicus Curiae, por Sueli Carneiro

    Em maio deste ano, foi criado em Montevidéu o Grupo de Afinidades sobre Ações Afirmativas, que envolve organizações e personalidades da sociedade civil de diferentes áreas do conhecimento de Brasil, EUA e Uruguai. Tem por objetivo discutir estratégias e promover o intercâmbio das idéias e lições aprendidas na implementação de medidas de ações afirmativas, como desdobramento dos compromissos assumidos pelos Estados-membros das Nações Unidas com a implementação do Plano de Ação aprovado na III Conferência Mundial Contra o Racismo, realizada em Durban (África do Sul) em 2001. Guardadas as diferenças, Brasil e EUA são colhidos neste momento numa conjuntura semelhante em relação à questão racial. Em ambos, um acalorado debate sobre as ações afirmativas levou o tema às instâncias jurídicas superiores dessas sociedades. No caso brasileiro, trata-se especificamente de um dos instrumentos das ações afirmativas que são as cotas. A Corte Suprema dos EUA acaba de decidir sobre a ação...

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    Agualusa, por Sueli Carneiro

    O olhar do outro nos constitui. Somos, grandemente, o que esse olhar do outro diz a nosso respeito. Um limite inescapável de nossa identidade. O escritor angolano José Eduardo Agualusa, em entrevista à revista Época, nos dá exemplos interessantes sobre como nós brasileiros somos percebidos por estrangeiros. Em primeiro lugar, ele alude à nossa incapacidade de nos compreender como povo e nação. Em segundo, refere-se à nossa mentalidade, segundo ele, colonizada, que impediria sobretudo às nossas elites nacionais apreciar a originalidade do ser brasileiro, para ele ‘‘uma súmula de África e Europa''. Essa súmula, no entanto, não se realiza como portadora de uma auto-estima positiva do brasileiro, porque uma das partes dessa equação, a africana, permanece rejeitada no imaginário e na prática social, em especial nas classes superiores. Como a maioria de estrangeiros, Agualusa interessa-se mais pelo que há de africano no Brasil do que pelo que seja europeu. Triste...

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    A conferência sobre racismo

    Fonte: Jonral Correio Braziliense - Coluna Opinião A sociedade, após 112 anos da abolição da escravatura, permanece exposta a múltiplos mecanismos de discriminação e marginalização social A ONU decidiu convocar a III Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e as Formas Conexas de Intolerância, que será realizada em final de agosto de 2001 na África do Sul, com o objetivo de avaliar a situação dos países em relação a essas temáticas, bem como elaborar recomendações de políticas públicas para a erradicação dessas práticas e promoção e valorização das populações discriminadas do mundo. Ao longo dos anos 90, as várias conferências convocadas pela ONU deram visibilidade a problemas críticos de nosso tempo: meio ambiente e desenvolvimento (Rio, 1992); direitos humanos (Viena, 1993); população e desenvolvimento (Cairo, 1994); desenvolvimento social (Copenhague, 1995); mulher, desenvolvimento e paz (Beijing, 1995); habitação (Istambul, 1996). Essas conferências ampliaram a consciência mundial sobre...

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    Foto: Marcus Steinmayer

    Os prós e os contras

    Fonte: Jornal Correio Braziliense - Coluna Opinião Há anos vimos discutindo com as principais organizações da sociedade civil brasileira o fato de que, ao contrário do que ocorreu em outros países marcados por diferenças e conflitos raciais, no Brasil nunca emergiu um posicionamento político efetivo de lideranças brancas contra as práticas racistas de nossa sociedade. Para citar apenas dois casos emblemáticos, lembremos a presença histórica de Marlon Brando na memorável Marcha pelos Direitos Civis liderada por Martin Luther King, ou o papel extraordinário do jornalista Donald Woods contra o regime do apartheid sul-africano. Personalidades brancas, simbolizando com suas presenças nessas lutas outros anônimos brancos que se recusaram a aceitar o racismo como estratégia de obtenção de privilégios às custas da opressão de outros grupos raciais. No Brasil, ao contrário, mesmo o abolicionismo brasileiro, com as exceções de praxe, não alcançou exprimir vontade política de inclusão da massa de ex-escravos. Esgotou-se...

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    Viveremos por Sueli Carneiro

    A mulher que cuida das crianças pede ao menino de cinco anos que explique o que acontece. Ele diz: ‘A polícia entrou aqui, mandou todas as crianças encostarem na parede desse jeito e falou que levaria todos nós para a Febem se a gente não contasse onde estavam escondidas armas e drogas’. O garoto se juntou à menininha, mãos na parede. Mais sete crianças repetiram o ato. (Folha de S.Paulo, 21/5/06) .A reportagem da qual retirei essa epígrafe estende-se na descrição das incursões policiais na favela dos Pilões (zona sul de São Paulo). Numa das visitas, três mortos: jovens com menos de 30 anos, todos trabalhadores, um deles epiléptico. O patrão de dois deles custeou os funerais e ofertou aos corpos urnas de madeira nobre talvez num gesto simbólico de resgate da dignidade daqueles jovens e expressão da consciência da injustiça cometida. É apenas um dos casos das dezenas que...

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    A carta da Princesa por Sueli Carneiro

    A televisão, em 30 de abril, divulgou o conteúdo de uma carta da princesa Isabel datada de 11 de agosto de 1889 endereçada ao visconde de Santa Victória. Nela se revelam os seus esforços e de seu pai, o imperador D. Pedro II, para prover condições dignas de sobrevivência e inserção da população ex-escrava na sociedade brasileira. O texto da princesa defende a indenização aos ex-escravos, a constituição de um fundo para a compra e doação de terras que lhes permitissem sobreviver e se inserir socialmente pela exploração agrária e pecuniária sustentada. Mas há coisas que só podem ocorrer no Brasil. A revelação de um documento histórico cujo conteúdo é de grande importância para milhões de brasileiros descendentes de escravos reduziu-se, na matéria produzida pela TV, a mera reatualização dos nossos antigos manuais didáticos que eram prenhes na reiteração do caráter benevolente da princesa por decretar a Abolição. Mais que...

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    Foto: Marcus Steinmayer

    O medo da Raça, por Sueli Carneiro

    Fonte: Jornal Correio Braziliense - Coluna Opinião É emblemático o empenho com que alguns intelectuais se manifestam na arena pública para alertar a sociedade sobre os perigos da raça como suporte de políticas públicas de promoção da igualdade racial. Mais curioso ainda é o fato de serem alguns desses intelectuais especialistas em negros. Negros que, enquanto objeto de estudo, alavancaram sólidas carreiras acadêmicas e adquiriram no plano das idéias absoluta realidade científica realizando o sonho de Sílvio Romero, para quem "o negro não é só uma máquina econômica; ele é, antes de tudo, e malgrado sua ignorância, um objeto de ciência. (...) Apressem-se os especialistas, visto que os pobres moçambiques, benguelas, monjolos, congos, cabindas, caçangas... vão morrendo. (...) Apressem-se, senão terão de perdê-lo de todo". Porém, o negro real sobrevivente desse vaticínio, ao se tornar alvo de políticas públicas específicas, representa para os especialistas uma ameaça ao "estatuto jurídico republicano"...

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    (Foto: Marcus Steinmayer)

    Cartão Vermelho, por Sueli Carneiro

    por Sueli Carneiro Fonte: Jornal Correio Braziliense - Coluna Opinião Foto: Marcus Steinmayer Um novo caso de racismo repercute na mídia brasileira envolvendo um juiz de futebol negro e um coronel da Polícia Militar de São Paulo. Relatado em matéria intitulada "O cartão vermelho que despertou o juiz negro", de Dorrit Harazim, no jornal O Estado de S. Paulo de 5/2/06, tomamos conhecimento de que, durante uma partida de futebol ocorrida no dia 4 de dezembro de 2005, no clube dos Oficiais da PM de São Paulo, o coronel Antônio Chiari recebe o cartão amarelo do juiz José de Andrade Neto. Ensandecido, o coronel reage à punição agredindo racialmente o juiz: "Você tinha de ser dessa cor de merda para fazer isso! ", grita, passando os dedos pela pele do braço. "Preto! Macaco! Olha a sua pele, cor de merda!", é o que diz o coronel...

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    Foto: Marcus Steinmayer

    Erraram, por Sueli Carneiro

    onte: Jornal Correio Braziliense - Coluna Opinião Em um dos primeiros pronunciamentos, o presidente Lula disse que ele e o seu partido não tinham o direito de errar. Estava certo. Ele se referia, sem dúvida, aos preconceitos e expectativas negativas que sempre o cercaram em função de sua origem social. Não pude deixar de associar essa idéia a outras semelhantes e correntes entre os negros e as mulheres. Negros têm internalizada a visão de que precisam fazer tudo melhor do que os brancos para terem a chance de serem considerados ou tratados como iguais; as mulheres sabem que devem ter desempenho superior ao dos homens, e deficientes precisam realizar atos que beiram ao de super-heróis como os do cego Jatobá da novela América. É injusto, mas real. A profecia auto-realizadora nos persegue a todos que não somos seres hegemônicos. E essa foi a advertência fundamental da qual se esqueceu o...

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    Em Legítima Defesa, por Sueli Carneiro

    Marcharemos em 16 de novembro próximo sobre Brasília em ato de indignação e protesto convocado pelo Movimento Negro Brasileiro. Por que o faremos? Por Sueli Carneiro, do Jornal Correio Braziliense - Coluna Opinião Muitas são as razões que advêm de uma realidade inaceitável contra a qual a militância negra vem historicamente lutando e frente à qual as respostas do Estado permanecem insuficientes, exigindo permanente esforço de compreensão. Assim, contrato racial, biopoder e epistemicídio, por exemplo, são conceitos que se prestam como contribuição ao entendimento da perversidade do racismo.São marcos conceituais que balizaram a tese de doutorado que defendemos junto à USP em agosto passado sob o título "A construção do outro" como não-ser como fundamento do ser. Nela procuramos demonstrar a existência no Brasil de um contrato racial que sela um acordo de exclusão e/ou subalternização dos negros, no qual o epistemicídio cumpre função estratégica em conexão com a tecnologia do...

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    Silêncio, por Sueli Carneiro

    O ciclo de conferências "O silêncio dos Intelectuais", que está ocorrendo em algumas capitais do país, não poderia realizar-se em momento mais oportuno, trazendo luzes para a compreensão de contradições da atividade intelectual, em especial na esfera pública. Intelectuais de partidos, formadores de consciência ou ideólogos oferecem a justificativa teórica e conceitual para os não ditos intelectuais, a ausência de crítica ou deslocamentos de foco sobre a natureza da crise política. A filosofia contribui no debate para nos esclarecer por meio de Marilena Chauí que o PT "caiu em uma armadilha tucana de que os petistas não se deram conta". A conclusão é que os petistas são ingênuos, presas fáceis das armadilhas preparadas pelos outros. A infantilização de agentes políticos opera nesse caso como absolvição para suposto desvio cometido. A filósofa vai além em sua reflexão e nos ensina acerca do sentido do silêncio dos intelectuais em conjunturas conturbadas. Segundo...

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    Pela busca do Imponderável, por Sueli Carneiro

    Fonte: Jornal Correio Braziliense - Coluna Opinião   Para Michel Foucault, depois do século 19 assiste-se a processo de esclerose dos grandes partidos políticos. Eles teriam deixado de se constituir espaços de criação política para reduzir-se em estratégias mais ou menos toscas de tomada ou permanência no poder. Ocorre, conforme ele, uma forma de "confisco da política". Diante do amesquinhamento da atividade político-partidária, restaria para a sociedade a resistência, expressando-se ela na capacidade de preservar os valores emancipatórios por ela produzidos sobretudo nas décadas de 60 e 70 do século 20 nos quais se encontravam implícita a possibilidade de recriar a existência para além dos programas partidários e sua normalização da atividade política e a conseqüente produção de sujeitos políticos viciados e subjugados aos imperativos do poder. A perda da capacidade de criação política, os limites impostos pelas grandes agremiações partidárias à renovação das idéias e práticas no campo político...

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    Abdias Nascimento, por Sueli Carneiro

    "Sempre que penso em Abdias Nascimento o sentimento que me toma é de gratidão aos nossos deuses por sua longa vida e extraordinária história fonte de inspiração de todas as nossas lutas e emblema de nossa força e dignidade. A história política e a reflexão de Abdias Nascimento se inserem no patrimônio político-cultural pan-africanista, repleto de contribuições para a compreensão e superação dos fatores que vêm historicamente subjugando os povos africanos e sua diáspora. Abdias Nascimento é a grande expressão brasileira dessa tradição, que inclui líderes e pensadores da estatura de Marcus Garvey, Aimé Cesaire, Franz Fannon, Cheikh Anta Diop, Léopold Sedar Senghor, Patrice Lumumba, Kwame Nkruman, Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Steve Biko, Angela Davis, Martin Luther King, Malcom X, entre muitos outros. A atualidade e a justeza das análises e das posições defendidas por Abdias Nascimento ao longo de sua vida se manifestam contemporaneamente entre outros exemplo, nos resultados da III Conferência Mundial...

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    Não matem nossos jovens, por Sueli Carneiro

    Fonte: Jornal Correio Braziliense - Coluna Opinião Há poucos meses divulgou-se estudo, realizado pela Uniemp (Fórum Permanente Universidade-Empresa), fundação ligada à Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em parceria com a Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo, que pela primeira vez estabeleceu relações entre aumento da criminalidade (em especial de roubos) e o desemprego. A preocupação dos pesquisadores foi identificar que modalidade de crime é afetada pelo desemprego e que tipo de desemprego afeta a criminalidade. A pesquisa buscou desvelar a relação entre aumento de criminalidade e estagnação econômica, desemprego e queda de renda; o nível de violência dos delitos versus o desespero econômico de quem os pratica. E concluiu que, em algumas das modalidades de crimes estudadas, como no caso de ataques a carros, o percentual de correspondência com o desemprego atinge 85%. Outros estudos apontam as ligações entre o desemprego de jovens e de pessoas de...

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    Ideologia Tortuosa, por Sueli Carneiro

    O mito de a desigualdade racial ser produto das diferenças educacionais também está em xeque No artigo “Tortuosos Caminhos” publicado na revista Caros Amigos de junho último, César Benjamin, a propósito de questionar a adoção de cotas para negros, reproduz a fórmula clássica do modus pensante e operandi nos marcos de nossa democracia racial: o Brasil é um país mestiço, portanto é impossível determinar quem é negro e quem é branco. E, ainda que isso fosse possível, raça é um conceito falacioso já desmascarado pela ciência contemporânea e, por fim, “constituir uma identidade baseada na raça é especialmente reacionário”, conclui Benjamin. Portanto, políticas afirmativas/cotas para negros seriam um anacronismo em nossa sociedade. São argumentos de fácil aceitação pelo que reiteram das ideologias presentes no senso comum em que o elogio à mestiçagem e a crítica ao conceito de raça vem se prestando historicamente, não para fundamentar a construção de uma...

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