quinta-feira, novembro 26, 2020

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    “Negro tem que ir pro pau”: heranças da ditadura no genocídio do povo negro no Brasil hoje

    A frase do título deste artigo foi proferida por Luiz Alberto Abdala, delegado da 44ª Delegacia de Polícia do Distrito de Guaianases, São Paulo, e transcrita em um documento confidencial (estrategicamente não assinado) da Divisão de Informações do DOPS/SP, datado de 15 de maio de 1978. O documento tratava das comemorações do dia 13 de maio em razão dos 90 anos da abolição da escravidão. Não à toa, a delegacia por ele capitaneada protagonizou o episódio racista que desencadeou na formação do Movimento Negro Unificado (MNU) meses depois, em julho de 1978. O Brasil ainda vivenciava uma ditadura militar quando Robson Silveira da Luz, feirante negro de 27 anos, foi acusado de roubar frutas e, por conta disso, sofreu torturas e foi assassinado por policiais militares do referido distrito. A reação da militância negra não tardou e, em resposta a esse e outros causos racistas, formalizou-se a entidade do movimento...

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    Ana Lúcia Martins é a primeira vereadora negra eleita em Joinville (Foto: Facebook/Reprodução)

    Campanha de apoio nacional e internacional pela vida da professora e vereadora eleita Ana Lúcia Martins

    Desde o dia 15 de novembro, ainda antes do resultado das eleições municipais em Joinville (SC), a professora Ana Lúcia Martins (PT), a primeira mulher negra eleita vereadora na história da cidade, vêm sofrendo diversos ataques, como o hackeamento de suas redes sociais, comentários racistas e ameaças de morte. Logo no dia seguinte à sua eleição, um radialista de Joinville atacou Ana Lúcia Martins, afirmando que não poderia “comemorar uma petista no poder novamente” e que o seu partido “não deveria existir mais”. Naquele mesmo dia, no Twitter, um perfil respondia com ameaças os apoiadores que comemoravam a eleição de Ana Lúcia. Numa das mensagens, o criminoso escreveu o seguinte: “OS FASCISTAS MANDARAM AVISAR QUE ELA QUE SE CUIDE". Em outra, o autor das ameaças disse: "agora só falta a gente m4t4r el4 e entrar o suplente que é branco (sic)". No perfil do racista, havia outras mensagens de ódio...

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    Adobe

    Assuma a sua passibilidade!

    Você pode ter o cabelo um pouco encrespado, mas a cor da sua pele coloca você num lugar privilegiado.  Nega Fya (Fabiana Lima)¹ Já decidi. Eu sou branca. Quero também o poder de fazer escolhas e, a partir de hoje, amplio em minha vida o sentido de passibilidade e vou torná-lo sinônimo de universalidade. Sim! A partir de hoje sou um sujeito universal e não admito mais ser racializada. Pisarei nesse chão social, sem aceitar classificações alheias, pois o importante é a minha opinião. Quando criança, por muitas vezes, senti medo de ser rechaçada pela cor da minha pele e sei que muitas pessoas negras se identificam com o meu temor. Eu pensava mais ou menos assim “Tomara que não falem mal do meu cabelo!”, “Será que hoje recebo um elogio da professora?” ou “E aquele personagem estranho do desenho, por favor, que ninguém diga que pareço com ele!”. Assim...

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    @MAUROYANGE/Nappy

    Poema NEGRO

    NEGRO Sou negro Sou forte! Sou Bravo Guerreiro. Meu jeito ligeiro, Ativo e viril Fez de mim Um homem serviçal no Brasil. Maltratado, acorrentado… De tudo já sofri. Fui tirado de minha pátria E só a ti eu servi. Meu povo! Ai que saudade De banto quase morri…. Sou negro Sou forte Zumbi dos Palmares Sob todos os olhares Traçou meu destino; E como um bravo menino A liberdade eu segui. No quilombo, pra onde fugia Era a Terra de alforria. Sonhei com esta alegria E só ali te senti! Sou negro Fui Forte Lutei até a morte! E hoje com muita sorte Sou de valor…. tenho porte! Igualo-me a qualquer raça. Pois para tudo tenho garra, força e determinação! Por isso eu posso gritar: Sou negro Sou forte Um Bravo de coração. Samara C. Alcantara de Andrade ** ESTE ARTIGO É DE AUTORIA DE COLABORADORES OU ARTICULISTAS DO PORTAL...

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    Victor Tongdee/Adobe

    Escrito em Nego

    Quando buscaram os Negros na África, trazendo-os como bichos amontoados em uma nau, ignorando suas paixões, estórias e a própria raiz ancestral, Foi escrito em negro e nos negros: sina trágica! No momento em que chegavam ao Cais do Valongo, Mortificados em corpo e alma pelos dissabores do trajeto; Travessia oceânica que pelo medo, pela ira e pela fome fazia-se mais longa, Escrito em pele negra foi: Objetos! No momento em que chegavam às senzalas com seus cabelos “Sarárá,” pele negra, dentes brancos, falando em dialetos nagô, suaíli ou banto, o povo da casa grande se perdia em olhares; ainda que ninguém se atrevesse nada a falar; Era ali escrito em negras pele, talvez por medo ou ignorância: Espanto. Na ração regrada e seca que aos negros era ofertada, Na água barrenta e lameada que não lhes provia da sede a saciedade, No preparar e não comer os quitutes da...

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    (Foto: Alberto Henschel. Negra de Pernambuco, c. 1869. Recife, Pernambuco / Convênio Instituto Moreira Salles –Leibniz-Institut für Länderkunde)

    Vidas negras importam, vidas negras importadas e vidas negras expropriadas

    “Pela primeira vez na história humana, o nome Negro deixa de remeter unicamente para a condição atribuída aos genes de origem africana durante o primeiro capitalismo (predações de toda a espécie, desapossamento da autodeterminação e, sobretudo, das duas matrizes do possível, que são o futuro e o tempo). A este novo carácter descartável e solúvel, à sua institucionalização enquanto padrão de vida e à sua generalização ao mundo inteiro, chamamos o devir-negro do mundo.” (MBEMBE, 2014. p. 18) (grifo do autor) Assim o filósofo e cientista político Achille Mbembe (1957) introduz uma de suas principais obras, Crítica da Razão Negra (2013), em que tanto traça um panorama do Negro enquanto categoria ontológica² , trazida historicamente, primeiro em sentido negativo, do Negro como “aquele (ou ainda aquele) que vemos quando nada se vê, quando nada compreendemos e, sobretudo, quando nada queremos compreender” (p. 11), segundo em sentido positivo, em um dado...

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    Foto Poliana Rodrigues

    Tecnologia ancestral

    Saudações,  Hoje é um dia no futuro que foi sonhado pelos nossos ancestrais.  Nessa encruzilhada em quem seus olhos encontram as minhas palavras, seu corpo dança.  Danço eu, dança você.  Vamos fazer de conta que estamos bem perto. Você me dá licença, e com a permissão do seu Ori, leio no seu semblante trejeitos herdados de um ancestral, o piscar de olhos, talvez um fogo azul cintilando atrás dos óculos quando se enfurece, a mão na cintura quando se coloca, o dedo em riste quando diz não. Leio a memória trêmula e enfurecida dos teus músculos, quando colocado de cara pro muro com as mãos na cabeça, o sorriso de canto de boca “igual o da sua mãe”, aquele gesto que lembra o parente antigo, e as pessoas dizem “é a cara do avô”.  Leio devagar e discretamente seu peito arfar com a mensagem que chega no whats up, seus...

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    @CANTADASPROGRESSISTAS

    A cultura do estupro e o “estupro culposo”

    Nos últimos dias ganhou grande repercussão o caso do processo criminal de estupro de vulnerável envolvendo a modelo Mariana Ferrer e o empresário André de Camargo Aranha. Acerca do caso muito vem sendo debatido e comentado na internet, principalmente por meio de mídias sociais, no entanto pouco se sabe de fato sobre o processo em razão de este tramitar em segredo de justiça. Nesse sentido, e firme na convicção de que no crime de estupro o segredo de justiça vem para defender o mínimo de integridade e privacidade da vítima (art. 5º, LX, da Constituição da República combinado com art. 201, §6º, do Código de Processo Penal), e não para poupar eventuais estupradores, aliado ao fato de que a própria Mariana já demonstrou o interesse em tornar o processo público (conforme noticiado aqui), bem como que a sentença já circula amplamente na internet, motivo pelo qual pude a ela ter...

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    Foto montagem: Pedro Lima

    “Ô dó!”: sobre o sentimento de pena da branquitude diante da nossa dor

    Dissimular uma aparente simetria na sociedade, ignorando desvantagens estruturais e desigualdades que, de tão profundas, saltam aos olhos é um arranjo bastante comum para a permanência do status quo em uma sociedade supremacista branca.  Embora uma parte da branquitude repudie veementemente o racismo – leia-se injúria racial e atos de ofensa – a própria ideia de superioridade racial, o “gene” defeituoso no organismo do ser social branco, é pouquíssimo confrontada.  Nossas dores não geram necessariamente empatia na branquitude, afinal nunca fomos suficientemente humanos na construção do seu olhar sobre os nossos corpos e nossa existência. No entanto, uma análise desta relação prescinde uma compreensão do próprio conceito de branquitude e de como o sistema de dominação racial sustenta a  auto-imagem das pessoas brancas, sobretudo, das classes privilegiadas.  Para fins didáticos, faremos uma analogia da sociedade brasileira com a forma de um iceberg, considerando que o mito da democracia racial seria...

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    ADOBE

    20 de novembro: Três motivos para o dia da consciência negra

    Vinte de novembro é o dia da consciência negra no Brasil, instituída pela lei nº. 12.519 de 10 de novembro de 2011, mas a pergunta que fica é: como e por que surgiu o dia da consciência negra? É realmente necessário um dia como esse?  Outras indagações e polêmicas que surgem é: “se existe o dia da consciência negra, então por que não existe o dia da consciência branca?” Ou, outros argumentos como, “ isso é racismo dos próprios negros!” A fim de responder todas essas indagações, este artigo se propõe a demonstrar três razões suficientes quanto à necessidade de ter um dia especifico para a consciência negra no Brasil.  A primeira razão será o argumento filosófico e conceitual, o segundo, o argumento histórico e o terceiro, o argumento contemporâneo. A primeira palavra que chama a atenção é o termo CONSCIÊNCIA, pois, para o dicionário de filosofia Nicola Abbagnano, em...

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    Arte: Romulo Arruda

    Dia da Consciência Negra e luta antirracista

    “O racismo não é um ato ou um conjunto de atos e tampouco se resume a um fenômeno restrito às práticas institucionais; é, sobretudo, um processo histórico e político em que as condições de subalternidade ou de privilégio de sujeitos racializados é estruturalmente reproduzida²”. Impera no Brasil uma normalidade na forma subalternizada como o negro ocupa lugar na sociedade. Assim, ver “pessoas de cor” em estratos sociais inferiores é percebido como algo dentro da ordem das coisas, seja pedindo esmola na rua, limpando espaços públicos e privados ou residindo em lugares sem o mínimo de infraestrutura e dignidade humana. Isto se deve a uma ideologia arraigada pelos séculos de escravidão que o país viveu a maior parte de sua História. Características de uma sociedade escravocrata são muito mais comuns em nosso cotidiano do que se supõe, elas se manifestam e se reproduzem no discurso dominante, na mídia, nos espaços de...

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     Instagram/@teresacristinaoficial/Reprodução

    Instagram e a liberdade de expressão na rede: o caso @teresacristinaoficial

    Durante a pandemia do COVID-19 o Instagram virou uma janela para o mundo. Por meio da transmissão de vídeos em tempo real, as lives, aproximou celebridades, marcas, intelectuais dos seus públicos. Os brasileiros foram produtores ativos de conteúdo nesta plataforma - na qual são a terceira maior audiência. Na frenética agenda de lives disponíveis, os shows diários da cantora Teresa Cristina ganharam destaque. A artista fez uma curadoria de conteúdo e reuniu um público crescente. Após seis meses ininterruptos de apresentações, Teresa sofreu ataques de hackers e teve que interromper o diálogo com os seus fãs. A negligência do Instagram diante das invasões motiva uma reflexão sobre o princípio da neutralidade da rede e sobre a liberdade de expressão. Teresa é carioca, negra, moradora da Vila da Penha e uma enciclopédia da música brasileira. Cantando à capela, a sambista “aglomerou” digitalmente convidados como Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano, Zeca Pagodinho,...

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    Brenda Aparecida Azevedo Vieira dos Santos (Arquivo Pessoal)

    Meu lugar de fala

    Me gritaram: negra! e muitos falaram que não, que era parda. Me gritaram: negra! e alisaram o meu cabelo. quanto mais liso, mais aceita. aí é só não usar vermelho e não ser escandalosa igual preto. Me gritaram: negra! alguns falaram que eu nem não sou tão preta. me gritaram: negra! E esconderam toda minha história Me gritaram: negra! E eu chorei, porque queria ser parda. Porque mesmo tendo 132 anos de abolição me sinto escrava, padronizada, estereotipada e hipersexualidade ? Porque a carne mais barata, sempre é a minha carne negra? Porque esconderam nossa história? Aprendi sobre o nosso ouro, nossos antepassados, sobre nossas lutas, E que não teve compaixão Mas sempre existiu Dandaras! em contrapartida, muitos morrem sendo capitão do mato. Não sou feia, não sou estranha Não sou morena, não sou parda. Somos livres por Zacimba Gaba! Não tentem apagar os fatos! desvalorizam nossa cor mas gostam...

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    Adobe

    Resistência e Memória: Dia Nacional da Consciência Negra

    O “Dia Nacional da Consciência Negra” 20 de novembro, foi instituído em homenagem a Zumbi dos Palmares, preto escravizado, que liderou a resistência no Quilombo dos Palmares na Serra da Barriga-AL, assassinado 1695. Lutou até a morte contra a opressão dos escravocratas e as mãos sujas de sangue de carne preta em nome do poderio econômico, da soberba e do racismo estrutural! A Serra da Barriga, hoje, Parque Memorial Quilombo dos Palmares, espaço de memória coletiva, dolorosas e sensíveis. O Dia, infelizmente, ainda não é festivo, não há muito o que comemorar, os confetes e aplausos para as migalhas gotejadas em nome da igualdade, no país da necropolítica e do mito da democracia racial. Não será mais um “feriado” paradoxal, para celebrações e cortejar autoridades religiosas ou bajular figurões políticos caricatos com status de estadistas, não passando de figuras patéticas, negacionistas e racistas. A histórica e árdua trajetória de um...

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    Photo by Tima Miroshnichenko from Pexels

    Sobre mordaças e Chicoachings Contemporâneos

    Ao procurar emprego no linkedin, me deparei com essa publicação da https://www.artemisia.org.br/empregabilidade/ que trouxe o seguinte excerto: “Reitero a defesa de Saadia Zahidi, diretora-administrativa do Fórum Econômico Mundial, quando diz que as organizações bem-sucedidas e inovadoras são aquelas alimentadas pela diversidade de opiniões, habilidades e experiências de vida. Garantir justiça social, paridade de gênero, inclusão das pessoas com deficiência, das pessoas LGBTQIA+ e respeito à diversidade humana precisa ser o ‘novo normal’ que deve emergir da crise provocada pela covid-19.” Ontem assisti uma palestra incrível com Raj Sisodia que me fez acreditar que o que eu penso em relação a novas relações entre colaboradores e empresa, não podem se manter da forma que estão. Passei a noite sem dormir, assim tem sido toda essa semana. Preciso falar sobre isso. E toda vez que sinto essa necessidade, a mordaça volta a minha boca. Fui demitida por questionar o salário que recebia...

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    Edson Cardoso, professor e jornalista | Foto: Sergio Silva/Ponte Jornalismo

    O Real – Dois Extremos

    Em meio à grande violência policial contra negros e pobres, o PT-BA apostou numa major da PM como candidata à prefeitura de Salvador. A menos de dez dias da eleição, um crítico de cinema, João Paulo Barreto, divulgou o artigo “Força assassina”, no Caderno2 do jornal “A Tarde” (edição de 6/11/2020, p. B7). A população de Salvador é testemunha cotidiana dessa força (fúria) assassina e inúmeros episódios poderiam aqui ilustrá-la. A coluna de Barreto trata do documentário “Sem descanso”, dirigido por Bernard Attal, que está sendo exibido em duas salas de Salvador. Segundo ainda a coluna de Barreto, Attal é francês e vive no Brasil desde 2005. Não vi ainda o documentário, não me atrevo a tanto em meio a uma pandemia. Mas a resenha de Barreto chamou a minha atenção e gostaria de poder ver o documentário, assim que as condições permitirem. A violência registrada por Attal, facilmente visualizada,...

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    Arquivo Pessoal

    Quilombo: A Arte da Memória Negra sobre Palmares

    Uma das máximas do pensamento de Beatriz Nascimento é a de que os quilombos exerceram um papel fundamental na construção da consciência histórica da população africana e seus descendentes no Brasil. Assim, as memórias sobre as experiências quilombolas foram constantes durante e após o período da escravidão. Advindos de tradicionais culturas orais, os povos africanos e seus descendentes encontraram possibilidades de memorização corporal. Suas expressões e formas de ser, viver e relacionar-se foram reatualizadas e incorporadas em diversas práticas culturais. Essas expressões de comunicação são locais privilegiados para o entendimento do processo de transformação histórico-social das culturas africanas no Brasil e em outras regiões da América e do Caribe. A manifestação de temática quilombola surgida nas Alagoas de fins do século XVIII, o quilombo, é uma delas. Realizada em cidades e zonas rurais em tempos de festas natalinas e nas celebrações de irmandades como a de Nossa Senhora do Rosário,...

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    Pintura: A criação de Deus/ Harmonia Rosales

    A importância da cultura afro-brasileira e indígenas nas escolas

    Inicialmente, é importante contextualizarmos factualmente a relevância do tema afro-brasileiro e indígena no currículo escolar e como essa temática se tornou lei amparada oficialmente pela educação na BNCC. No dia 10 de março de 2008 o ex-presidente da república, Luis Inácio Lula da Silva e Fernando Haddad, na época, Ministro da Educação, assinaram a Lei Nº 11.645 alterando a Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelecendo assim, a obrigatoriedade de incluir oficialmente no currículo de ensino a temática “História e Cultura Afro brasileira e Indígena”, certificando assim, a melhoria dos direitos sociais e demonstrando a necessidade da implantação e consequentemente a busca de novas estratégias para novas políticas educacionais, que propõem e reconhecem uma sociedade diversificada. Elizabeth Maria² (2010) em seu artigo, fomenta que: A lei enfatiza o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a...

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    O cacique Raoni, ao centro, entre líderes indígenas de 47 povos, que estiveram reunidos por quatro dias no Mato Grosso para relançar a "aliança dos povos da floresta". (Foto: RICARDO MORAES / REUTERS (REUTERS))

    O olhar dos povos indígenas atentos a contínua propaganda enganosa da Europa ao mundo: O Amanhã

    Ailton Krenak é um segundo sol vivo que ilumina a cultura indígena, e que ainda resiste contra a racionalidade do ocidente (Compreendendo a força da consciência coletiva produzida pelo poder da linguística, neste artigo opto pela força da consciência descolonizada, portanto, a ausência da letra maiúscula neste substantivo próprio não reconhece o poder simbólico da arma cultural dominante) em matar, roubar e destruir. Krenak nasceu em 1953, na área verde do vale do rio Doce, mas a vida dos seres vivos e da vegetação do local vem sendo mortos pelas mãos do homem branKKKo (Branco com três K refere-se a Klu Klux Klan, organização da supremacia branca. Assata Shakur, ex membra do Partido Pantera Negra, apresentou AmeriKKKa com três k. A partir daí estendemos para outras palavras). Ativista dos direitos dos povos originários, luta pela existência do planeta Terra, ainda que os branKKKos não queiram imaginar o fim do capitalismo,...

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    Itamar Assumpção (Foto: Jorge Cardoso/CB/D.A Press - 2/8/00 )

    Itamar vive: primeiro museu virtual sobre um artista negro brasileiro será inaugurado em 20 de novembro

    Cantor, compositor, escritor, instrumentista, ator, produtor, artista. Itamar Assumpção foi tudo isso e mais um pouco. E, para reunir e revisitar o seu legado na música brasileira e mundial, em 20 de novembro, dia da Consciência Negra, será inaugurado um museu virtual com sua obra, vida e trajetória. Considerado um dos principais nomes da música independente e da chamada “Vanguarda Paulista”, Itamar, ao lado de Arrigo Barnabé, Premê (Premeditando o Breque), Grupo Rumo e Pracianos, lideraram o movimento que, entre os anos de 1979 e 1985, dominou a capita paulista e foi referência para a cultura popular brasileira. Não é um site Concebido a partir do Edital Petrobras Cultural Chamada Música em Movimento 2018, o Museu Itamar Assumpção - MU.ITA -, que neste primeiro momento será totalmente virtual, tem direção geral de sua filha Anelis Assumpção. O MU.ITA vai contar com uma exposição permanente sobre Itamar, um acervo com mais...

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